A atmosfera, desde o início da construção sonora, se mostra atraente. Ainda que a guitarra se apresente em meio ao seu riff de natureza grave, ele é, acima de tudo, um catalisador sensorial que faz com que o ouvinte já vá entrando em sintonia com suas propostas emocionais. Na companhia do chocalho, elemento que dispõe de uma interessante maciez que permite a aquisição de fluidez, o instrumento se deixa levar pelo azedo e pelo ríspido, mas sem tornar a experiência do espectador demasiadamente bruta.
Com esses dois elementos no centro dos holofotes, a composição consegue, facilmente, comunicar a sua essência folkeada. Sem um aroma bucólico e ausente da delicadeza típica de um ambiente tradicionalmente campestre, a faixa se permite enveredar por uma suave estridência fomentada pela união do timbre do vocalista e da forma como a bateria soa enquanto desenvolve a estrutura rítmica.
Por meio desse cenário, inclusive, a crueza acaba sendo algo inescapável. Cadenciada e compassada, no entanto, a faixa tem em si a sua maneira de formular uma sonoridade fluida. Com um refrão agraciado pela tímida e súbita presença da agudez ácida da gaita, A New Gilded Age é onde o JackGIANTkillr discute o grande vão no conceito de fortuna, exponde, de forma escancarada, a diferença monetária entre os trabalhadores de classe média e os ultra ricos.
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