A maneira com que o violão desenha o escopo sonoro introdutório não é apenas delicada e fresca, mas, especialmente, terna e extremamente graciosa. Diante de uma melodia que caminha ondulantemente entre tons agudos e intermediários, a composição é rapidamente agraciada por um sabor doce devidamente atraente. Favorecendo a percepção de uma postura introspectiva, a faixa salta de um minimalismo unilateral para uma espécie de dueto estrutural.
Isso acontece porque, no instante em que o primeiro verso se anuncia, a paisagem sônica passa a ser rspaldada pela interação sintônica entre a movimentação do violão com o timbre levemente grave de Tyler McGinnis. A partir daí, é interessante e importante pontuar que a composição passa a imergir em um campo sensorial associado a um estado cuidadosamente reflexivo. Frágil, mas conseguindo ser recebida de forma contagiante, a faixa se torna encantadora quando atinge o refrão.
Nesse instante sonoro-narrativo, a composição rompe com a ideia de minimalismo ao receber frases rítmicas entoadas por uma bateria perceptível, mas de natureza bastante intimista. Ganhando compasso e uma precisão que não a afastam de sua natureza especialmente vulnerável, Admiring Ghosts acaba destacando, agora de forma incontestável, sua paisagem pensante acerca de temas como memória e tempo de forma a abordar, também aquele momento íntimo em que se percebe o que foi deixado para trás.
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