O piano pode até surgir por entre notas que sugiram uma pronúncia grave, mas assim que os violinos entram em cena, a suavidade, o frescor e a maciez tornam o escopo sensorial algo de essência tranquilizante. Aveludada e nostálgica, mas curiosamente com um toque nostálgico choroso, a camada harmônica vai se tornando aquele aspecto que se responsabiliza pela difusão sensorial da obra.
Felizmente, conforme avança em meio à sua própria desenvoltura, a canção vai exibindo notas florais que são capazes de criar um ambiente de natureza lúdica, ingênua e pura. É como se o ouvinte pudesse reviver seus tempos de criança em que as preocupações não faziam parte do mundo e da rotina. O interessante, contudo, é perceber a presença do violoncelo na base harmônico-melódica entregando um grave que obriga o espectador a ter ao menos um pouco de lucidez como metáfora à noção de responsabilidade.
Valsante em sua máxima essência, a faixa se favorece da sua própria aptidão em relação ao aspecto de fluidez. Trazendo consigo sabores de diversão em meio a uma leveza capaz de ser estonteante, Age Of Dreams, mesmo recebendo nova luz diante de seus dois anos de idade, mostra sensibilidade, pureza e um toque saudosista encantador.
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