A composição que marca o início do álbum é desenhada perante uma estrutura de completo e orgânico contágio. Sensual, leve e até mesmo alegre, ela consegue combinar a levada melódica do violão com a voz agradável do vocalista de forma a construir um forte elo para com o ouvinte. O curioso é perceber que, conforme a música evolui em relação à sua estrutura, se percebe que a sonoridade com a qual se tem contato é, na verdade, sintética. Oferecendo um refrão rappeado e de cadência lírica acelerada, Beep Bop Boop é agraciada pela presença de um beat que, felizmente, a torna swingada, fluida e com uma ligeira inclinação para com o sensual que contribui para a sua característica viciante.
Bem diferente daquilo que acompanhou o ouvinte na canção anterior, a presente obra vem com uma postura introspectiva. Mas não somente. Dentro dessa densa camada de intimismo, é possível se deparar com boas doses de uma melancolia que chega a até mesmo ser pegajosa. Construída perante um escopo instrumental minimalista, aqui calcado, ao menos inicialmente, apenas no violão e em seus curtos riffs unitários, Underware é uma faixa que se vale pela difusão dos sensos de insegurança e fragilidade destacados em meio a um beat capaz de inserir pitadas marcantes de drama pela atmosfera sônica.
Retomando aquele contágio viciante e positivamente apelativo de Beep Bop Boop, a presente faixa já nasce com uma estrutura capaz de despertar o interesse e a atenção do espectador. Introduzida a partir da união de um verso lírico onomatopeico com riffs secos e swingados imediatamente providenciados pelo violão, a composição dá o devido destaque à voz feminina equilibrada entre veludo e agudez que dá vida ao seu enredo verbal. Na posse de Gina da Lesbian, esse timbre faz de Like A Fish To Water uma composição que atinge altos patamares de assimilação por, inclusive, ser respaldada por uma breve influência do reggae em seu compasso.
Voltando para com a influência do pop em sua base estrutural, o álbum coloca o ouvinte em contato com Which Way Will I Go?, uma faixa leve e swingada que conta com um compasso rítmico sequencial e inicialmente linear que se mantém no diálogo com os versos líricos de conotação suave, mas viciantemente sincopado em meio à sua cadência rappeada embebida em uma estrutura mid-tempo. Ganhando patamar de contágio em razão da união de um toque sintético agudo em meio aos pulsos percussivos, a faixa consegue ser entorpecente, mas sem tirar o espectador da trilha de um rap mainstream.
Em se tratando de um álbum com uma track list robusta, tal como acontece com Black Astronaut Records, invariavelmente cada uma de suas 15 faixas coopera, com a devida precisão e proeminência, para que, ao ouvinte, ele se torne um produto devidamente marcante. Felizmente, é exatamente isso o que acontece.
Transformando seus versos líricos rappeados em um ecossistema de agradável contágio, o material combina diversas bases rítmicas para torná-lo acessível e distanciá-lo da seriedade densa que estereotipa o gênero. Não é à toa que, do reggae ao pop, o disco possui influências capazes de o tornar não apenas mais leve, mas mais acessível, atraente e, até mesmo, viciante.
E a prova disso reside, principalmente, no decorrer de suas quatro primeiras faixas. Apesar de elas trazerem com mais ênfase todos os apontamentos até então listados, o novo trabalho do ai12die também dá o devido crédito a títulos como Zero, com sua estrutura que remete àquela da canção Believer, do Imagine Dragons; Golden Retrievers, com seu reggae sensual e sincopado; The Juices e sua viciante melodia minimalista construída pelo violão; e Hoopty com sua mistura de house e pop. É assim que Black Astronaut Records destaca a sua natureza sensitiva.
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Soundcloud: https://soundcloud.com/blackastronautrecords

