A canção se inicia de uma forma que já demonstra não apenas um clima de descontração, mas um ambiente espontâneo e leve. Após a contagem regressiva efetuada pelo tilintar oco das baquetas, a faixa mergulha em um universo de estrutura rítmico-melódica agradável, viciante e contagiante. Sem que soe necessariamente explosiva, ela consegue oferecer, diante de seu andamento, uma boa noção de movimento, a qual se confunde em meio a uma base atmosférica adocicacadamente aveludada ofertada pelo teclado.
Rapidamente, porém, a faixa faz com que o ouvinte desemboque em seu primeiro verso. Nele, se entra em contato com um timbre masculino grave, cujo tom se assemelha àquele de Caleb Followill. Garantindo, a partir daí, uma nova textura à receita da obra, o vocalista entrega uma intensidade mascarada em sentimentalismo e pungência. Inclusive, nesse aspecto, dá para se dizer que a composição é agraciada por contornos motivacionais e, inclusive, compassivos.
Confortando e abraçando o espectador a partir daí, a obra acaba funcionando como um produto sônico de representatividade, uma vez que o lirismo parece criar certo elo com o ouvinte a partir de sentimentos conflitantes que beiram a angústia. Felizmente, a faixa não é mergulhada em pungência ou em uma dramaticidade melancólica excessiva graças à sua camada rock alternativo com direito a ligeiros flertes de new wave. Leve, mas cheia de camadas sensitivas, essa é Always, a última canção a ser lançada pelo RISE em 2026.
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