É interessante perceber como, desde seu início imediato, a composição consegue imergir o ouvinte em um universo denso e sombrio. Em meio a uma combinação de texturas ácidas e sintéticas permeando a atmosfera em construção, a canção vai envolvendo o espectador em uma audaciosa combinação de insegurança e sensualidade. De temática inquestionavelmente obscura, a faixa, assim que dá espaço para que seu enredo lírico comece a ser vivenciado por meio de uma voz feminina levemente doce e grave na posse de AmorA, passa a evidenciar uma postura introspectiva pungente. Interessante destacar, nesse ínterim, que tanto a adoção do autotune pela cantora quanto a presença de sonoridades mais emblemáticas, Alone In The Dark acaba se tornando em algo de natureza épica.
Garantindo para si uma postura introspectiva, mas delicada, desde seu início imediato, em virtude da adoção de uma sonoridade tilintante e cuidadosamente aguda proveniente da reprodução da desenvoltura do xilofone, a presente canção consegue, curiosa e audaciosamente, construir uma paisagem tão sombria e intrigante quanto aquela ofertada durante a obra anterior. No entanto, a presente composição claramente leva o ouvinte a vivenciar algo de pura excentricidade. E esse detalhe reside na sensualidade em sua forma mais pura, emoção proporcionada, principalmente, pela forma com que a cantora interpreta o enredo lírico. Por meio dela, inclusive, é até curioso perceber que Fire é embebida em uma temática sonora assustadora e levemente trevosa que se anuncia perante inclinações estruturais para com o soul.
Desenvolvida perante a utilização do efeito fade in, a canção tem sua sonoridade aguda, adocicada e sintética gradativamente introduzida nesse novo ambiente em construção. Entorpecente e destacando uma natureza dark pop curiosa de forma a fazer com que o ouvinte note certa familiaridade para com as propostas sônicas exploradas por Lana Del Rey, Keep Me Alive, apesar do nome, traz consigo uma atmosfera de energia sombria que pende para o funesto, a tornando audaciosa e até mesmo autêntica. De nuances curiosamente esotéricas em meio à sua melodia de caráter sintético levemente ácido, a faixa chama a atenção também por ser embebida em uma base rítmica de beats pulsantes, o que lhe confere uma capacidade de ser cuidadosamente dançante.
What I’ve Known, desde seu início imediato, surpreende todo e qualquer ouvinte por trazer consigo uma identidade sônica, aqui abrangendo especialmente o âmbito rítmico, latina. Afinal, em meio à sua levada cuidadosamente sincopada de forma a trazer consigo um caráter sensual atraente, a faixa traz o sol e aquela leveza que apenas a paisagem latina pode oferecer. Agraciada por instantes líricos embasados no uso do autotune como uma maneira de trazer novas texturas à sua conjuntura estético-estrutural, a faixa leva o ouvinte a vivenciar uma agradável cenografia límpida e de caráter expansivo.
Definitivamente, ao se ouvir Dancing My Way To Happiness, o espectador é levado para um universo de sensorialidades não apenas contagiantes. Afinal, através de sua estrutura sonora, o álbum traz muito mais do que um ambiente convidativo. Em sua máxima essência, ele se configura como um produto em cuja narrativa sai do sombrio e do funesto e caminha gradativamente rumo ao leve, ao delicado, ao expansivo e ao solar.
Essa percepção pode ser encontrada sem qualquer dificuldade ao se atentar nas próprias paisagens sônicas ofertadas, principalmente, nos quatro primeiros títulos do material. Como um produto intenso e cheio de camadas, mesmo que de natureza sintética, Dancing My Way To Happiness se destaca por promover uma trajetória que sai das sombras e atinge a pura leveza tranquilizante e sensual. Assim, o álbum presenteia o espectador com autenticidade em meio ao universo do pop moderno.
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