Desde seu início imediato, a canção leva o ouvinte a vivenciar uma espécie de êxtase no que tange a sensorialidade inerente à leveza, à delicadeza, à suavidade. Mansa e aconchegantemente frágil, a faixa traz consigo uma identidade fresca muito bem construída e difundida pela desenvoltura da guitarra base, a qual se movimenta perante uma postura suspirante.
Ao mesmo tempo em que essa guitarra domina a base melódica com sua capacidade de soar suavemente swingada ao ponto de oferecer ligeiras e encantadoras noções do reggae em meio à receita estético-estrutural, a gaita dá ao ambiente um toque bucólico charmoso e, curiosamente, romanceado. Com seus gritos contidos e introspectivos, o instrumento faz com que a composição denuncie, agora de uma forma mais firme, a sua identidade sônica folkeada.
Liricamente narrada por uma voz feminina equilibrada em agudez e na exata dose de dulçor, a qual se apresenta na posse de Amanda Emblem, a faixa se torna marcante por ser agraciada por um bom corpo, o qual é perceptível em virtude da desenvoltura bojuda do baixo. Necessário pontuar, também, que Ancient Dingo se percebe agraciada pela presença de um teclado que reproduz a agudez ácida do hammond de forma a contribuir com a construção e o fortalecimento de uma camada harmônica sedutoramente envolvente.
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