É possível dizer que a obra surpreende pela sua maturidade. Afinal, desde seu início imediato, por entre chiados e pixels sonoros que denotam um toque charmoso de crueza, ela evidencia uma natureza dançante e envolvente. Fresca através de sua atmosfera noturna, a composição consegue transpirar uma identidade metropolitana gritante com direito a nuances de uma noitada vibrante.
Isso tudo acontece somente entre as notas delicadas e agudas do piano, o qual se apresenta no limiar da estridência, e as pronúncias intimistas com leve toque dramático da voz aguda de Chloé French. Conforme a obra evolui e passa para seu primeiro verso definitivo, ela faz com que o ouvinte mergulhe em um universo sensual, contagiante, alegre e vívido. De essência indiscutivelmente dançante, a faixa ainda surpreende por ser agraciada por uma camada groovada bem trabalhada em virtude da desenvoltura do baixo.
De performance pulsante, sensual, atraente e levemente provocante, a obra, quanto mais se desenvolve, mais ela dá ao ouvinte a chance de perceber seu regionalismo e excentricidade. Isso se deve ao idioma adotado por Chloé ao dar vida ao enredo lírico. Trazendo seu francês nativo, a cantora faz com que Angels se torne uma música irresistivelmente charmosa que consegue reconstruir, sonoramente, uma atmosfera nova-iorquina bastante atraente.
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