A canção de abertura já se inicia madura e arquitetonicamente completa. Com uma atmosfera rock alternativa oitentista, a faixa explora um caráter introspectivo enquanto se permite experimentar boas doses de uma sensorialidade entorpecente através de sua proposta instrumental. Com o auxílio de uma voz delicada e de base aguda que preenche o escopo lírico, é até inevitável que a obra, inclusive, caminha pelos limiares do transcendental. Na companhia de Ava Wolsynuk, May’s Song explora uma espécie de sensualidade amorfinante bastante pegajosa, o que a torna uma obra bastante atraente e penetrante.
Enquanto o teclado preenche a atmosfera com um dulçor sintético levemente ácido, permitindo a aquisição de uma textura macia que incentiva o torpor, a bateria se ocupa da estruturação rítmica ao desenhar uma estrutura sincopada que garante um senso de movimento que anseia pela lucidez. Cheia de camadas sonoras, as quais permitem a experimentação particular do hammond e do wurlitzer em um mesmo ecossistema, Between The Lines, com a presença de Alison Cowie, mostra o Animal Souls caminhando por um terreno governado pela psicodelia.
Misturando o etéreo com o onírico, a presente canção chama a atenção pela precisão de seus pulsos rítmicos, os quais lhe garantem uma firmeza sonora evidente. De caráter épico, a faixa parece caminhar pelos meandros de um folk nórdico intrínseco ao metal sinfônico, o que lhe garante um toque de misticismo bastante interessante. Com Annika Catharina no comando dos vocais, Midnight Sky esbanja um hipnotizante viés harmônico encontrado nas nuances líricas.
A presente faixa ganha um destaque extra por uma razão simples: a coesão associada à consistência de sua base estrutural. Enquanto a bateria se responsabiliza pela criação de um andamento rítmico firme, o baixo entra em cena preenchendo a base melódica com uma sonoridade azeda forte e cheia de consistência, permitindo que a sonoridade seja agraciada por um bom corpo. Ainda assim, é interessante e necessário pontuar que On My Way explora uma suavidade fresca que permite, em especial à guitarra, um protagonismo que mostra uma breve alusão ao blues em meio aos seus riffs agudos e aveludados.
Em The Kids, uma faixa executada unicamente pelo Animal Souls, o grupo parece ter encontrado o apogeu de sua simetria estrutural ao fornecer, ao ouvinte, um folk de natureza céltica que caminha entre uma acidez típica da psicodelia, mas que também permite tangenciar o progressivo graças à forma como a sonoridade do hammond é empregada. Bem trabalhada em relação aos aspectos harmônicos e melódicos, The Kids apresenta um frescor associado a um nível de contágio tão marcante que a torna uma forte candidata à música de trabalho do presente álbum.
Moondancing é um álbum, no mínimo, amplo. Amplo no que se refere à melodia. Amplo na harmonia. E, para mudar o adjetivo, generoso em suas propostas sensoriais. Por meio dele, o Animal Souls permite uma elevação na caracterização do folk. Afinal, aqui esse gênero é fundido a uma série de influências que vão da ambiência céltica a nuances progressivo-psicodélicas.
Experimentando inclusive pitadas de metal sinfônico em sua paisagem sonora, o álbum apresenta uma série de convidados que, no comando do microfone, inserem suas particularidades a ponto de enriquecer o contexto sonoro em sua íntegra. Essa troca constante de vocalistas faz do material um produto não apenas versátil, mas plural em suas próprias propostas estruturais. Mesmo que evidenciadas através das cinco primeiras faixas de sua track list, Moondancing é, inteiro, uma viagem sônica que leva do torpor à utopia do êxtase.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/0JpGwxqwJ71d3Tf5LrLKWr
Site Oficial: https://www.animalsoulsmusic.com/
Facebook: https://www.facebook.com/animalsoulsmusic
Twitter: https://twitter.com/animalsoulsmus1
Soundcloud: https://soundcloud.com/michael-fisher-786071579
Bandcamp: https://animalsouls.bandcamp.com/
YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCoWMj2yhgCsGLhn7pFywacw
Instagram: https://www.instagram.com/animalsoulsmusic

