A combinação entre os pulsos duros da bateria com uma sonoridade sintética aguda e linear causa, ao ouvinte, uma inicial experiência sensorial um tanto desconfortável. É como se, ao preludiar um possível caos, esse escopo rítmico-melódico prematuro ocasionasse a insegurança e a vulnerabilidade. Perante essa crueza, que, felizmente, não tem sequer um sinal de brutalidade, a canção, inclusive, vai sendo agraciada por um sintetizador que inclui um toque sonoro levemente entorpecente como forma de acalmar os ânimos.
É então que, conforme se permite evoluir em seu contexto sonoro, a canção vai esbarrando em um ecossistema que, de fato, se embriaga do estado de torpor. Isso porque a sonoridade sintética que começa a ser estruturada oferece um sabor adocicado, mas diante de uma performance serena que beira o transcendental. E desse transcendentalismo, é importante mencionar a existência de contornos melancólicos que rapidamente capturam a atenção do espectador.
No instante em que o enredo lírico enfim se anuncia, a composição surpreende por levar o ouvinte em um mergulho de experimentalismo. Aqui, a guitarra elétrica adquire bom protagonismo diante de sua desenvoltura distorcida em meio aos pulsos mais enfáticos e fluidos da bateria. Nesse ínterim, uma voz masculina de caráter tão introspectiva e melancólica quanto aquela de Morrissey em seu tempo de The Smiths preenche os espaços restantes da obra. É assim que Ache marca o retorno do Highroad No. 28 após hiato de uma década.
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