Baby T mostra o quanto o hip-hop é expansivo em novo álbum

Muita gente não tem consciência da abrangência do hip-hop dentro da música, apenas o associando ao rap. Ledo engando. Se existe um movimento (o que ele é na verdade) que tem abrangência musical, este é o hip-hop e quando encontramos um artista que sabe explorar muito bem isso, o produto final sempre soa acima da média.

É o caso do premiado artista Baby T. Não à toa, estamos diante de um artista versátil, que trilha diversos caminhos dentro da sonoridade que ele propõe, que é o mencionado hip-hop e ainda consegue romper fronteiras, flertando com outros gêneros de nichos diferentes.

Este seu mais novo álbum, singelamente intitulado de “40” é uma amostra disso onde, em 11 composições e pouco mais de meia hora, ele traz o hip-hop como seu grande mote se fundindo com diversos outros gêneros e subgêneros, criando uma sonoridade característica que molda ainda mais sua forte personalidade. Tudo com uma produção primorosa e faixas bem estruturadas.

Ele deixa essa versatilidade bem evidente já no prelúdio do disco, que é uma faixa de menos de 2 minutos, onde o rap dá as cartas, mas não se restringe a isso. Incrível como ele consegue inserir o ouvinte ao álbum de uma forma sútil e natural, sem mesmo que percebamos.

Mas, o primeiro grande trunfo dele e prova de seu leque aberto já fica na faixa seguinte, “Things About To Change”, um hip-hop de contorno rock, com guitarras furiosas e um baixo que entrega linhas na medida, o que deixaria o Rage Against The Machine orgulhoso.

Com um tempero de funk e R&B, mantendo a vibração que se torna praxe no disco, “Dem Ones” é outro grande destaque. Com beats preciosos e um fundo inspirado no rap ‘old school’, a música chama atenção pelo trabalho vocal versátil e linhas muito bem desenvolvidas.

Assim como “Things About To Change”, a lo-fi “Greed” foi um dos singles escolhidos do disco e não seria por menos. A faixa prima por ser uma das mais modernas do trabalho, onde Baby T coloca leves toques de trap, quase que homeopáticos, mas que são suficientes para que a faixa soa atual.

Ouça ainda “Old Soul”, “What It Is” e “Hip-Hop Prayer”, mas sem perder a consciência de que “40” é um disco que requer pouco tempo para ser apreciado e apresenta um tracklist muito equilibrado. Logo, a cada audição podemos ter sentimentos diferentes e faixas que se destacam a sua maneira.

 

 

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