O som característico do scratch, junto a uma voz masculina grave entoando os primeiros vislumbres de versos líricos a partir de uma cadência sincopada que claramente representa o rap, recepciona o ouvinte como o primeiro elemento propriamente instrumental a preencher a atmosfera introdutória. Rapidamente, conforme a canção vai evoluindo e, portanto, amadurecendo a sua paisagem sônica, o espectador se vê em meio a um ecossistema sensual, swingado, sincopado e provocante construído com base no puro funk. Com direito a elementos percussivos agraciando o escopo rítmico, a composição se vê feliz pela aquisição de uma leveza fresca que é capaz de engrandecer a sua sensualidade estético-estrutural. Combinando tonalidades sonoras sintéticas agudas e de nuances estridentes, Bumps Before Breakfast possui groove marcante, encorpado e pulsante que lhe confere a densidade ideal para tornar firme a sua sonoridade.
Explorando sonares agudos, azedos, estridentes e levemente açucarados, a canção, desde seu início, se destaca pela presença de numa bateria de desenvoltura enfática e precisa que se funde aos mesmos batuques opacos que preencheram a esfera percussiva da obra anterior. Garantindo para si leveza e fluidez, além de uma nota agradável de frescor, Do What You Do Best, Girl se mostra uma faixa de camada sensual viciante que, curiosamente, alcança a capacidade de criar estímulos dançantes irresistíveis. Além disso, é interessante pontuar que a sonoridade agudo-estridente que funciona como o elemento a proporcionar movimento e leves noções de harmonia, em certo aspecto, parece representar a tonalidade e a vivacidade típicas do saxofone, conquistando, inclusive, novas silhuetas de sensualidade.
Ela não chama a atenção por ser introduzida por uma espécie de vinheta, tal como aconteceu em Bumps For Breakfast, mas, sim, pela união de instrumentos de sopro e uma levada rítmica amaciada e agradavelmente sensual. Combinando, portanto, vivacidade e veludo, Big Coke Blues vem para mostrar uma fusão audaciosa entre o compasso 4×4 típico do blues com a atmosfera do rap que, aqui, se mostra inquestionavelmente vibrante. Ainda que penetrante, a presente faixa é, simplesmente, um interlúdio dentro de uma track list de um total de 17 títulos.
Se for pensar na questão da duração, Crawl Of The Crown vem na mesma pegada. Curta em relação às demais, ela vem com um diferencial marcante: seu groove não é apenas consistente. Ele é encorpado, provocante e saliente, fatores que entregam uma necessária e equilibrada densidade à base sônica atmosférica que abraça a composição. Trazendo o funk não só como a sua alma, mas como a principal fonte de saudabilidade de seu sangue, a faixa se mostra ritmicamente pulsante e liricamente provocante, de uma forma que desperta audaciosos sinais de libido.
Além de seguir com a maestria e o hipnotismo do groove, a presente canção, desde seu início imediato, é marcada por uma exploração ainda maior dos elementos percussivos disponíveis. Sensual e alcançando a obtenção de contornos nativos e também latinos, a canção toca um grau de frescor inédito no que tange àquele desenvolvido nas canções anteriores. Na companhia de Black Cab, The New Miss Weirdo traz atabaque, bongô, repique e caxixi juntos com um baixo gordo e libidinoso que traz o funk como sua base sonoro-narrativa.
Definitivamente, Signal Hill não pode ser entendido como um álbum comum. Audacioso, em certa medida, ele vem para provocar a fusão entre funk e rap. Vem para mostrar que esses dois universos, apesar de parecerem diferentes e intangíveis, são capazes, juntos, de construir uma sonoridade orgânica e naturalmente sensual, ampliando o frescor e intensificando a cadência.
Sincopado e de natureza experimental, o disco explora bem as identidades do funk, a sua sensualidade e o seu groove típicos com a cadência lírica sincopada que tanto marca a paisagem do rap. E ainda assim, é interessante perceber que, no material, não existem densidades exacerbadas ou aromas urbanos pesados. Aqui, é a leveza que comanda.
Provas desses apontamentos são as cinco primeiras músicas da track list. Ainda assim, outros títulos, tais como You Should Be With Me, com sua libido transpirante diante de silhuetas de estéticas filadelfianas; a aromático-pulsante Fire On The Line, que conta com a presença de Bayou Beatdown; e So You Need To Decide, com sua atmosfera retro marcada pela voz empostada de Anton Donovan, a qual é usada de forma a oferecer conotações de jazz e R&B. Diante disso, Signal Hill se mostra o álbum mais coeso do duo Battle Bumps até o momento.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/5C13KuvDHNyTPZX0ooC0C6
YouTube: https://www.youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_njAjP5tJLvHAdgmlWbPEubBkDLsSYDESY

