A sonoridade que puxa a paisagem introdutória tem um quê de audácia e autenticidade por trazer um toque lúdico em sua estrutura. Não que ela promova, especificamente, uma experiência sônica introspectiva, mas a forma como a canção elabora a sua melodia minimalista lhe dá um caráter contemplativo que chega a flertar com o aspecto intimista.
Delicada em sua essência, a faixa é agraciada por uma narrativa trazida de forma terna, generosa, educada e gentil por parte da voz intermediária da cantora. Com direito a um sintetizador construindo uma cama transcendental em meio à sonoridade repetitiva, Big Medicine conquista o espectador em razão de seu lirismo tratar, com boa dose de compaixão, de temas como conexão humana, cura, resiliência espiritual, enquanto dialoga, também, sobre renascimento e interdependência.
