Depois que o som natural do vaivém das ondas fornece um estado de profunda calmaria e introspecção ao ouvinte, a canção tem seu iniciar oficial marcado por uma sonoridade sintética de natureza opaca e levemente pipocante. Sem demora, ela é respaldada pela presença de uma linha lírica vivida por um timbre feminino de natureza incontestavelmente agudo e açucarado que chega a beirar a estridência.
Na posse de Elvira Kalnick, essa identidade vocal faz com que o ouvinte acabe, invariavelmente, não apenas se deixando levar por um viciante estado de torpor, mas, também, por marcantes estímulos hipnóticos que passam a penetrar na natureza sônica conjuntural da composição. Curiosamente, porém, conforme se desenvolve, a faixa é capaz de colocar o espectador diante de uma paisagem estético-estrutural gradativamente dançante e envolvente.
Graças ao gradativo destaque colocado perante a figura do beat, a faixa desemboca em um refrão de versos líricos viciantes e grudentos, ao passo em que acaba, definitivamente, amadurecendo sua capacidade de disseminar um incentivo à dança a partir da natureza rítmica de sua batida. Com esse ecossistema, Blind Love se confirma uma canção em que Elvira explora a ingenuidade do início das relações, evidenciando o contraste entre expectativa e realidade em relação à personalidade do parceiro.
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