Seu início imediato explora uma camada sensorial suspirante de maneira bastante nítida por meio da desenvoltura sincrônica dos instrumentos que o compõem. Piano, violão e guitarra são capazes de, juntos, transformar as gotas de chuva em algo de textura ácida e corrosiva em razão da intensidade da emoção por eles exposta.
Ainda que envoltos em uma camada de profunda introspecção que chega a beirar a reflexão, os instrumentos constroem, também, uma paisagem sônica em que a dor é tão intensa que chega a ser quase insensível. Fresca e amorfinante em sua máxima essência, a faixa transforma todas as suas brisas em uma espécie de conjunto de janelas que dão vista privilegiada para algo nostálgico agora inalcançável.
Monocromática em seu tom cinza de nuances espectrais, a faixa tem seu enredo lírico narrado por uma voz masculina de ligeiras inclinações para com o ácido. Beirando a clemência e uma postura de busca por uma resposta inacessível, Blood é onde o Hollows se infiltra nas profundezas emocionais da perda.
Chegando a ser linear em certo aspecto, a canção consegue embeber o espectador com o seu sentimentalismo entristecido e saudosista pungente de maneira a lhe roubar toda a sua faculdade lúcida. Não é de se espantar que, por meio da presente composição, portanto, o trio consiga evocar sensos de pura dor.
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