É interessante quando um artista está antenado no mundo atual e não só da música, mas num contexto geral. Mais interessante ainda é quando ele transforma isso em música e ainda em música instrumental, o que gera algo intrigante e que nos leva a reflexão enquanto apreciamos a excêntrica sonoridade.
Temos um trabalho destes moldes em mãos. Trata-se do Bloomfield Machine, originário de Huntington Beach (EUA), que é um projeto solo do multi-instrumentista Brian Kassan. O artista, que já lançou nove discos, chega a um novo trabalho mesclando sonoridades, entregando algo atemporal, mas com uma reflexão atual baseada na ditadura dos algoritmos.
Intitulado “Algorithm & Blues”, o trabalho estreita a relação entre humano e máquina, dissolvida na geração atual e seus conceitos, tanto de alienação quanto de utilidade, mostrando o contexto agridoce que isso gera, apontando os perigos e as vantagens em sonoridades que nos desafiam e não pendem exclusivamente para nenhum gênero.
O novo disco traz algumas curiosidades e particularidades. Gravado por meio de um processo cada vez mais experimental — que dispensa o planejamento em favor da descoberta espontânea em vastas bibliotecas de sons e batidas —, o álbum surgiu de forma quase misteriosa, até mesmo para seu criador.
O resultado é 15 faixas em pouco mais de 30 minutos onde a música instrumental carrega elementos do rock alternativo, leves toques clássicos, sintetizadores conexos e desconexos, um mundo eletrônico que bebe na fonte do krautrock, mas mantém seu leque aberto e uma infinidade de detalhes que somem e aparecem a cada audição.
É difícil destacar uma ou outra faixa, afinal de contas, fica evidente o quanto as músicas se complementam, em um tracklist equilibrado e que acaba as conectando de forma natural. Mas é impossível também não apontar os grandes momentos do disco, principalmente quando fazemos uma audição mais apurada.
Logo, “The Engineered Life” com sua batida distorcida e vibrante caminhando sob a camada atmosférica climática de fundo até chegar a contextos industriais, é a primeira que chama atenção. Curiosamente é seguida por outro destaque, “Distraction Machine”, uma faixa com graves intensos e um pouco de wester spaghetti nas guitarras.
Mais orgânica, e com leve inclinação ao chiptune, “Hiccup Culture” chama atenção por trazer uma cozinha magistral. Ouça também o lounge climático “The Waiting Room”, mas não perca a oportunidade de ouvir “Algorithm & Blues” por inteiro, pois se trata de um disco que lhe oferecerá uma experiência nova a cada audição!
https://www.facebook.com/Bloomfield-Machine-103682937878586/
https://open.spotify.com/artist/40TqrPQTQQSdQxAo0JKcrV?si=GAOjbyXeSJiwY9APlJlt-Q
https://soundcloud.com/popguy68/sets/units-of-uncertainty-1?si=2c8d4eb37cde41c5835e1c5d64ea9578
https://bloomfieldmachine.bandcamp.com/
https://www.youtube.com/watch?v=vmwrkqG0YoQ&list=OLAK5uy_ny-_3NtMd-3rWBEM_7IrF45XZRCiY_lvg&index=2
