É interessante perceber que, apenas com o auxílio do sintetizador, a canção já é capaz de oferecer, ao ouvinte, requintes de envolvência, maciez, frescor e torpor. Com um detalhe prematuramente vibrante diante de sua sonoridade digital, a faixa rapidamente abraça o espectador em meio a uma cenografia amorfinante construída, principalmente, pela forma como Wiz Khalifa introduz seu timbre no despertar do enredo lírico.
Guiada por um beat padrão em sua cadência 4×4, a canção desfila uma boa noção de movimento que, com o passar do tempo, vai enfraquecendo em virtude de sua propositada monotonia. É a partir daí que a canção acaba caindo em um processo que explora a introspecção sob um aspecto melancólico, sem vida e entristecido. Regido por puro torpor e falta de ânimo.
Tendo no timbre azedo do vocalista o principal elemento a oferecer texturas que tentam romper com o excesso de morfina, a canção chega a oferecer, em dado momento, versos líricos proferidos por uma voz feminina de caráter agudo e de ligeiro veludo. De posse de Tamara Jenna, a partir da interpretação lírica na qual é utilizada, ela não apenas enaltece o torpor, mas, essencial e principalmente, destaca a natureza da obra como um produto de identidade inquestionavelmente soturna. Com mo auxílio do autotune presenciado em alguns momentos da narrativa, Both My Wrists é marcada por funcionar como uma espécie de fusão entre a coragem britânica e o prestígio estadunidense.
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