A faixa passa rapidamente de um vislumbre sonoro de base atmosférica bara um momento de sonoridade estática e dura, ainda que a sua superfície transpire boas doses de delicadeza e nuances introspectivas. Diante de uma ternura envolvente, a qual se percebe graciosamente estimulada pela interpretação lírica assumida pela vocalista, esse toque intimista vai tomando forma e se apropria de todo o aspecto comportamental da obra.
O curioso é notar que, conforme a cantora vai expondo cada vez mais o seu timbre agudo e açucarado, a canção vai adquirindo contornos cada vez mais oníricos e brisantes em razão de seu som agudo, sintético e levemente borbulhante. Inclusive, mesmo na presença de uma base rítmica de aparência acústica e de pulsos precisos, esse senso de torpor não perde força. Pelo contrário, ele se torna capaz de envolver o ouvinte em meio ao seu calor terno e o seu tom compassivo.
Fluindo para um processo minimamente crescente que mantém a sua fragilidade estética típica, mas que se permite experimentar uma maciez estrutural que, felizmente, permite a disseminação do senso de movimento, a canção mergulha em um refrão de identidade surpreendentemente dançante. Flertando com a base da house music, ele faz com que Break The Past seja capaz de transpirar todo o seu storytelling de natureza honesta e sincera por meio de uma atmosfera inspirada na luz, na esperança e na conexão humana.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/4755aFKxsQImn3GmB6HeU5
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