Pela forma como o violão se movimenta nos instantes introdutórios imediatos, a canção já é capaz de lançar ao ar sensibilidades inerentes às percepções de melancolia, nostalgia, reflexão e pitadas de um intimismo tocante. Rapidamente, porém, ela tem seu enredo lírico devidamente nascido por meio de uma voz feminina grave, firme, forte e consistente.
Na posse de Grace Palmer, ela, diante da interpretação lírica para a qual é usada, transpira notas de um lamento sem necessariamente o respaldo da lamúria ou da visceralidade. Estruturalmente minimalista durante tanto os versos de ar quanto no que tange o pré-refrão, a faixa vai dando sinais de crescimento conforme um beat eletrônico vai sendo percebido de maneira tímida.
Assim que a obra explode no refrão, a energia atinge patamares tocantes irresistíveis diante de uma harmonia simples, mas bem trabalhada em virtude da união sensório-estética da bateria acústica com a guitarra e um teclado que insere uma sonoridade adocicadamente ácida de caráter encantadoramente delicado. É exatamente nesse instante que Breathe conquista uma estrutura sensorial intensa, pungente e de uma vertente emocional definitivamente compassiva.
Mesmo que a bateria se desenvolva de maneira a manter a mesma estrutura de seu andamento rítmico, a canção ganha elementos que lhe conferem boas e amaciadas noções de movimento, como é o caso da guitarra lap steel. Inclusive, ela é um dos fatores primordiais que auxiliam o espectador a perceber que Breathe se configura como uma obra folk.
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