Ela chama a atenção por, desde seu início imediato, envolver o ouvinte em uma atmosfera dançante, fresca, envolvente e aromática que combina nuances surpreendentemente oníricas por meio da sonoridade experimentada. Conseguindo ser, inclusive, sensorialmente sensual através da união dos pulsos do teclado com a singela trepidação do riff agudo e monossilábico da guitarra, a canção consegue alcançar um grau de sedução alarmante.
Esse detalhe ganha ainda mais força quando o escopo sonoro é agraciado pela presença vibrante e swingada de um time de instrumentos de sopro que vai do trompete ao saxofone. Conferindo, portanto, uma vivacidade incandescente e irresistível à paisagem que vai amadurecendo, tal combinação instrumental, inclusive, se torna responsável por construir e elevar a harmonia de uma forma irresistivelmente convidativa.
Diante da interpretação lírica assumida pelo vocalista, personagem que entra em cena já consciente de sua posição na construção sensorial da obra, o ambiente passa a ser abraçado por um toque de romantismo lexicalmente atraente e, acima de tudo, viciante. Com seu soul provocante, Bring The Light é uma obra que soa como a captura da paixão fecundada através da luz espectral da lua perante um céu noturno estrelado. Difícil para o ouvinte se manter indiferente perante um ecossistema tão belo, atrativo e provocante.
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