Desde seu início imediato, o que mais salta aos ouvidos e à sensorialidade do espectador é a crueza perceptível por entre os chiados bem pronunciados e a melancolia que extravasa facilmente a partir da sonoridade sintética adotada. De natureza precisamente introspectiva, NEVER FOLD ganha uma dramaticidade pungente e, de certa forma, pulsante, a partir da maneira com que o vocalista interpreta os versos líricos. Com uma intensidade notável, a atuação do cantor se funde sintonicamente ao peso e à densidade dos pulsos rítmicos trepidantes.
Depois de ser puxada por uma breve sonoridade ambiente, a canção convida o ouvinte a mergulhar em um universo profundamente dramático regido por uma boa camada de melancolia. Ainda que agraciado por frases rítmicas minimamente sincopadas, a faixa-título se destaca pela intensidade e honestidade que o rapper coloca em cada palavra por ele proferida.
Diferente das canções anteriores, a presente composição já tem seu início marcado profundamente pelo drama. Pelo pungente. Pelo sentimental de nuances viscerais. E o interessante é que, mesmo com essa característica como protagonista, PRAY 4 A WAY coloca o ouvinte diretamente em contato com uma cenografia urbana e marginal, mas sem qualquer sinal de agressividade.
A sonoridade ambiente, pautada em um prelúdio de discussão, leva o ouvinte a lidar, uma vez mais, com uma dramaticidade latente. Tocante e comovente, ASTHMA bebe de uma densidade bastante superior às demais exploradas pelo material. Com pulsos bem marcados, mas ausente de excessos, a faixa ainda é agraciada por boas doses de uma melancolia de aparência escondida.
Ainda que ela seja a canção mais curta em duração do presente material, AWF, definitivamente, em virtude da sonoridade adotada em meio ao seu contexto rítmico-melódico, se consagra como a faixa mais dramática do material. De sentimentalismo rascante, a faixa mistura torpor com um senso de autoconfiança necessário para enfrentar as adversidades da vida.
Denso, dramático e pungente. Esse é o tripé que melhor define Buick Boy (Act 1). Intenso, profundo e de sentimentalismo rascante de tão sincero e honesto, o material traz enredos embriagados em relatos sombrios que chegam a comover verdadeiramente o espectador. Marcado por sua natureza autobiográfica, o material conta o trauma de um indivíduo sem-teto dormindo por mais de dez anos na traseira de um buick 89.
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