Ela é densa, marcante, macabra. É épica, dramática e cinematográfica. Com nuances teatrais que invariavelmente transpiram de sua sonoridade, a canção explora o suspense, o gutural, e, surpreendentemente, um teor gótico responsável por trazer pinceladas de assombro ao ambiente. Com direito a possibilidade de visualizar um tom noturno sombrio em meio a uma arquitetura medieval, a canção não se priva no que tange à exploração do imaginário sensorial do espectador.
Quando a obra começa a mostrar traços de uma linearidade estético-estrutural, é chegada a hora de uma mudança em sua desenvoltura. Depois de uma pausa e instantes de silêncio, a sonoridade extraída do teclado passa a desfrutar de uma textura ainda mais sombria. Amadurecendo seu contexto de natureza funesta e, portanto, obscura, a canção consegue ser trevosa sem escorregar no apelativo.
Mergulhando posteriormente em um instante em que o sintetizador se apresenta frio e uma camada sinfônica produzida sinteticamente pelos violinos induz a uma ideia de enaltecimento de um caos iminente, Buried Crown chama a atenção pelo seu ritmo construído a partir do tímpano e de sua cenografia teatral marcante que mistura fantasia, mitologia e história. Um instrumental definitivamente hipnotizante. Em relação ao Boundless Echoes, a faixa funciona como o começo de uma jornada épica que fará com que o ouvinte se perca em mundos ancestrais.
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