Junto de notas borbulhantes e súbitas do piano, o ouvinte entra rapidamente em contato com o compasso contagiante estruturado através do estalar de dedos. Inicialmente soando como ativações características de parques de diversão, a faixa vai ganhando elementos que, além de lhe entregarem mais autenticidade, lhe conferem um senso de movimento amaciadamente sensual, mas sem necessariamente flertar com a libido.
Diante do compasso rítmico que começa a ser construído, a faixa acaba sendo agraciada por uma dose extra de simplicidade e leveza, ainda que mantenha seu viés linear ofertado até então. Em virtude de suas notas repetitivas, o piano, único elemento propriamente melodioso presente em cena, consegue conquistar um verdadeiro efeito hipnótico em relação ao ouvinte, que, inclusive, se percebe completamente fisgado pelo consequente estado de torpor ocasionado pelo ecossistema.
Felizmente, a canção chega a um ponto em que dá a chance para que o espectador perceba que o piano explora novos sons diante da base melódica, o que, felizmente, contribui para uma bem-vinda noção de movimento. Enquanto isso, em um looping interminável, aquela mesma combinação de notas borbulhantes segue com sua monarquia absolutista.
Entre idosas e vindas do toque do estalar de dedos que, agora, fica clara que sua inserção serve como uma forma de oferecer uma textura mais orgânica e crocante, Carousel definitivamente arregimenta sua paisagem sônica hipnotizante. Uma paisagem minimalista, repetitiva e alucinante.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/3jwGzJZ6b8uUFZ17eVymJz
Soundcloud: https://soundcloud.com/user-482810983/tracks
YouTube: https://www.youtube.com/channel/UC27yshAesDUPIL543enIgWA

