Casey Louis estreia com o magistral “The Secret Joke”

Uma estreia requer que tenhamos muita criatividade e energia, mas também tem o contraponto da inexperiência, que pode culminar na dosagem errada de certos quesitos. Sempre é uma faca de dois gumes, onde aquilo que pode ser bom, se chegar em dose errada, bota tudo a perder. Um verdadeiro perigo.

Diretamente de Los Angeles, Casey Louis chega com seu primeiro álbum garantindo o lado bom da estreia, com criatividade e bom-gosto. E, ele ainda traz uma veia diferenciada ao se inspirar em lançamentos recentes, na ocasião o disco “Currents”, do projeto australiano Tame Impala, lançado originalmente no ano de 2015. Ou seja, um disco muito recente, mas que já inspira gente do naipe de Casey.

Intitulado “The Secret Joke”, o álbum prima por trazer 14 composições em pouco mais de 46 minutos, onde o jovem cantor destila o melhor do pop, progressivo, dream-pop e psicodélico, com uma sonoridade agradável e serena.

Casey também soube muito bem trabalhar a produção do disco, que traz um som orgânico, mas que não dispensa os recursos atuais, captando o som da forma mais bem lapidada, além dos timbres muito bem escolhidos. Tudo feito no estúdio do artista, com produção dos talentos excepcionais de Bokoven e do engenheiro de som Harry GT.

Outro fator preponderante no disco é a objetividade das composições e como Casey consegue ser versátil em tempos curtos, afinal de contas é uma média de 3 minutos nas músicas em um som que não prima por ritmos e batidas retas, inclusive variando nos momentos.

O primeiro destaque fica por conta de “Ego”, um pop com retoques progressivos, que soa como se o Pink Floyd resolvesse trilhar caminhos mais comerciais. Uma música que definitivamente mostra o quanto Louis tem conhecimento de causa. E a faixa sofre um contraponto direto com a seguinte, “Half Life”, que é um pop mais direto, inclusive com leves toques de R&B.

Outro destaque fica para a semi-acústica “Synthetic Smile”, uma das que conta com a participação de Alie Grant, que traz um dream-pop de ritmo acelerado (para o estilo), com um fundo de guitarras reverberadas.

O disco merece uma audição completa, mas impossível também não mencionar as duas mais longas, a post-punk / pop “Better of Alone” e seu baixo cativante, e a carro-chefe “Don’t Fall Asleep”, outra com participação de Alie Grante, e que mostra Casey num olhar introspectivo digno de David Bowie, num pop psicodélico de arrancar suspiros. Que estreia magistral deste artista primoroso.

 

 

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