Desde seu início imediato, ela é marcada pela exploração sensorial do frescor, da envolvência e da sensualidade no que tange o aspecto da maciez rítmica. Com bom senso de fluidez, a faixa, ainda que liricamente crua, já comunica, através de valsas vocais aéreas, a utilização do autotune como um artifício que entrega um toque digital extra à sua paisagem sonora.
Essencialmente leve, é interessante perceber como, de maneira bastante suave, o ouvinte consegue perceber tímidas e, talvez, despropositadas, brisas R&Bs fluindo pela atmosfera rítmico-lírica da obra. Ainda assim, é inquestionável que o afrobeat seja o seu principal guia musical. Por meio dele, em associação às pronúncias sussurrantes executadas por Charlie Flexx, o espectador acaba sendo capturado por uma energia atraente que o instiga a dançar amaciadamente.
Isso acontece em razão da combinação das cadências lírica e rítmica em adesão, inclusive, aos pulsos adocicadamente sintéticos aparentemente vindos das notas duplas do piano. Com direito a um refrão de estrutura entorpecente, Champion consegue, em razão também da parceria entre Paul Fox e Eleanor Fox, conquistar a atenção do ouvinte perante seu enredo verbal cheio de positividade e de veia amplamente inspiradora. Gravada em diferentes continentes, a faixa é, acima de tudo, uma amostra da tangibilidade do dancehall com o afrobeat.
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