Ela se destaca em meio à multidão não por adotar uma sonoridade inteiramente nova ou mesmo autêntica, mas a presente obra oferece ousadia, audácia e uma confiança que transcende os limites do som e podem ser identificadas a partir de cada riff distorcido e contorcido a ponto de soar completamente dissonante. Explorando, portanto, os campos do avant-garde, da estridência e de uma estrutura que pende levemente para com o industrial, a composição se vale da máxima crueza.
Sem se limitar a esses fatores estético-estruturais, a composição ainda se guia por uma cadência rítmica sincopada que beira um estímulo dançante completamente debochado e cínico no seu sentido mais agressivo. Quando o enredo lírico finalmente se anuncia, o ouvinte se associa a um timbre masculino agudo e de interessantes nuances aveludadas que, na posse de Christian Fedor, é usado como um meio de esboçar repúdio em relação ao sistema político da engrenagem governamental.
Com um refrão que apresenta o cantor em meio a interpretações líricas de caráter teatral e, consequentemente, dramatúrgico, a canção consegue fazer com que o ouvinte identifique, em meio à sua estrutura, uma similaridade transparente em relação àquelas alcançadas por nomes como The Black Keys e Franz Ferdinand. Ainda assim, BETTER NOT GET AN EXPLODING se diferencia pelo fato de que une humor negro a uma mensagem político-questionadora que captura a raiva de presenciar a destruição e o sofrimento em tempo real enquanto confronta os discursos que rodeiam esses cenários.
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