Sua sonoridade inicial é desenvolvida de maneira sinteticamente pipocante. Ainda assim, é interessante perceber como essa tomada de atuação consegue fornecer, ao ouvinte, um senso de contágio fluido e amaciado. Atraído para a canção de forma orgânica, o ouvinte se deleita com uma espécie de frescor digital emaranhado por um veludo ligeiramente azedo.
Assim que o primeiro verso se inicia, a atmosfera recebe, na soma das texturas da obra, um dulçor lexicalmente açucarado. Vindo por meio do timbre de Katie Belle, ele se coloca em cena de maneira a incentivar um toque sensual perante a interpretação assumida pela cantora em relação ao enredo lírico. Com pronúncias de caráter sussurrante, Katie não promove a introspecção. Pelo contrário. Ela consegue fazer com que a audiência seja instigada a um passo rumo à extroversão.
Esse caráter expansivo, conforme a música se desenvolve, permite que o ouvinte entenda estar inerente a um aspecto romântico. Entre a exploração de um torpor quase etéreo e uma envolvência entorpecentemente sensual, Cigarette convida a audiência a interagir com um diálogo que trata, essencialmente, de memórias idas, mas não esquecidas. Não é à toa que é possível de se identificar, diante do espectro rítmico-melódico, brisas nostálgicas fluindo pela obra com uma liberdade inebriante.
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