Tal como os batimentos do coração, a composição tem o seu início declarado. Regido pelo compasso firme e preciso do bumbo sendo golpeado de maneira sequencial, mas com conotações pausantes, o nascer da obra pode até trazer consigo uma ideia de lucidez. No entanto, bastam alguns momentos a mais de desenvolvimento para o ouvinte se ver diante da presença de um som sintético propositadamente tremulante.
Incutindo a noção de uma paisagem noturna, mas ainda sem um estímulo naturalmente contagiante, a faixa mantém o seu viés experimental como o seu principal guia estético-estrutural. Surpreendentemente, porém, a composição vai dando pistas de que o seu ecossistema é mais orgânico do que propriamente digital, algo que se percebe em meio à textura seca do chimbal, à estridência da caixa e ao caráter melodioso-intimista da guitarra.
Enquanto ao fundo o sintetizador segue com a sua desenvoltura tremulante, também o baixo passa a ser percebido a partir de um groove bojudo e consistente a ponto de oferecer a dose ideal de densidade ao contexto sônico. Entre uivos contorcidos de uma guitarra solo que chega a ofertar nuances dramático-soturnas, Clouds In The Mirror destaca a intenção do Komaframe em reinventar a era de ouro da new wave com uma boa mistura com o rock alternativo de ambiência noventista.
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