O sintetizador surge com uma forte presença diante de seu protagonismo irremediável e absolutista. Por meio dele, o instrumento se aventura na construção de uma sonoridade ácida misturada com nuances pipocantes que, momentaneamente, sugerem o brisante. Rapidamente, porém, a sonoridade que produz assume contornos de suavidade e uma agradável fluidez em razão da inserção de uma camada lírica fresca e levemente esvoaçante.
De natureza feminina, esse timbre, misto de agudez e uma identidade curiosamente etérea, faz com que a composição vá assumindo, gradativamente, um intimismo de natureza graciosa e irresistivelmente entorpecente. Delicada e profundamente intimista, a canção também destaca, conforme avança em meio à sua própria desenvoltura, a sinergia existente entre a leveza do riff limpo da guitarra e o encorpamento de leve densidade do groove do baixo. A partir desses detalhes, a canção consegue se posicionar firme, ainda que tenha uma aparência de definitiva fragilidade.
Delicadamente sincopada no que tange à sua esfera rítmica, algo perceptível graças à movimentação suavemente amaciada do chimbal diante de sua textura seca, Desert Island Daydream explora uma atmosfera tão delicada e leve que acaba fazendo com que o ouvinte vivencie momentos de completa sensorialidade transcendental. Um verdadeiro devaneio entorpecente providenciado por melodias frágeis e compassos vulneráveis.
https://soundcloud.com/stomp-box-choir/desert-island-daydream
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