O que existe aqui, perante a paisagem sônica imediatamente introdutória, não é somente a sedução pela sedução. É a conquista por meio da introspecção. É o charme pelo simples encantamento. É o perfume pela embriaguez. Serena e apaixonantemente sensual em meio à forma como o violão se movimenta, a canção mergulha em uma espécie de conforto que sugere o aconchego e a proteção de uma maneira contagiantemente simultânea.
Estruturalmente capaz de oferecer uma mistura interessante entre jazz e blues, a composição, assim que dá início ao seu primeiro verso, permite que o ouvinte entre imediatamente em contato com um timbre feminino aveludado, confortável e com lapsos de hipnotismo que deixam o ouvinte viciado em suas nuances lírico-interpretativas. Bem estruturada entre as suas paisagens sônicas, as quais ainda permeiam flertes com uma espécie de gospel-soul em razão da textura adocicadamente ácida do hammond, a faixa adquire contagiantes inclinações suspirantes.
Muito bem destacadas com o auxílio dos backing vocals, essas percepções sensoriais acabam tomando boa parte da paisagem sentimental da composição conforme essa se desenvolve. Curiosamente sem ter exatamente uma essência lírica bem definida, Boy é uma obra em que o Baldy Crawlers mergulha ainda mais profundamente nos espaços abstratos entre amor, identidade e inefabilidade.
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