Com o álbum Questioni Di Pensiero, o The Threegonos entrega uma viagem desafiadora pelo mundo do jazz

Ela pode até ser regida por um compasso acelerado, mas, ainda assim, mantém a essência swingada e amaciada típica do jazz. De bateria acústica e sincopada, a faixa é adornada por pinceladas aveludadamente adocicadas vindas de um piano capaz de promover uma atmosfera sedutora e vibrante. Saliente em sua máxima essência, a faixa-título exorta um sorriso que cobre os dois extremos do rosto em uma feição de pura alegria. Provocante, principalmente em virtude da contribuição do saxofone, a faixa é embebida em uma vivacidade inquietante e excitante que energiza o espectador a partir de seu charme autêntico e peculiar.

Diferente daquilo que foi experienciado diante da construção cenográfico-sensorial na obra anterior, a presente faixa ousa ao ofertar uma paisagem introspectiva, ainda que mantendo a mesma essência amaciada. Se aprofundando em nuances de uma dramaticidade embrionariamente pungente, a composição se mostra fresca e com requintes de uma energia latina graças ao emprego de determinados elementos percussivos, como o bongô. Em Como Si Fuera Una Buleria, a guitarra elétrica adquire uma presença ainda mais marcante que aquela obtida na faixa-título. Com sua aspereza quase regozijante, o instrumento proporciona novas texturas que enaltecem o senso de provocação e vivacidade, exortando uma energia inquestionavelmente excitante que paira livremente pelo ar.

Charmosa em todos os aspectos, a presente faixa, desde seu início imediato, apresenta o diálogo, ou melhor dizendo, a interação direta de instrumentos como sanfona, baixo e bateria em um contexto que surte na construção de dulçor, corpulência e pitadas de um senso onírico demasiadamente sereno. Entorpecente e incontrolavelmente hipnótica, Amore cantadu, sob os versos interpretados pelo timbre agudo e adocicado, mas de identidade forte, de Gabriella Aiello, adquire contornos românticos envolventes. Ainda assim, o que de fato chama a atenção em meio à desenvoltura da faixa é a equilibrada atividade da engenharia de mixagem, fazendo com que todos os elementos sonoros sejam percebidos no mesmo nível de pureza e consistência.

Aqui, o compasso percussivo parece readquirir aquele mesmo senso acelerado e intenso da faixa-título. A bateria, portanto, se apresenta elétrica e embrionariamente incandescente, pode se dizer. Porém, ainda que o ouvinte se sinta inevitavelmente capturado pelo calor demasiado ofertado pelo instrumento, a canção ainda surpreende por despejar, nesse mesmo ecossistema, sonares de sopro agudos e estridentes provenientes do saxofone. A partir deles, portanto, Let’s Play Swing (More Or Less…) é tomada por uma sensualidade provocante e solar que, facilmente, captura a atenção e o interesse do espectador para com seu conteúdo puramente instrumental e libidinoso. 

Em hipótese alguma ele pode ser definido como um mero disco de jazz. Isso seria uma afronta à sua genialidade estético-estrutural. Isso se deve não apenas ao fato de ser construído diante de uma sequência de faixas que transitam entre instrumentais e músicas cantadas. Especificamente, essa genialidade, essa ousadia transpirada por Questioni Di Pensiero é referente a união de ecossistemas que fazem o ouvinte transpirar, excitar, provocar, mas, também, se apaixonar profundamente.

Vivo, incandescente e sensual, o material traz, como importantes trunfos de seu conteúdo, as quatro primeiras faixas que regem a sua track list. Ainda assim, todo o material é, sem exceção, uma obra que eleva a significância das palavras musicalidade e experimentalismo. Diante do álbum, o The Threegonos entrega charme e um virtuosismo que é cuidadosamente desenvolvido para ser belo, mas, acima de tudo, acessível.

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