Com o EP Der Hintern Dribbelt, Krey Galin explora, com profundidade, a estética do rap alemão

Com um timbre digitalizado a ponto de soar metálico e o apoio do uso denso do subgrave, a canção cria uma atmosfera pesada de forma a beirar até mesmo uma textura de conotação metalizada. Ainda assim, o compasso e a movimentação vocal usados para dar vida ao escopo lírico dão, à obra, uma noção de sensualidade envolvente e contagiante. Não que ela seja provocante no sentido puramente libidinoso, mas essa nuance sensorial permite a percepção de uma maciez que permite ao ouvinte a identificação de fluidez e, até mesmo, suavidade, em relação ao aspecto de continuidade da estrutura sônica. Pulsante e com a presença de chimbais secos e trepidantes, Der Hintern Dribbelt chama a atenção por, a partir de certo momento, intercalar esse tom vocal com um timbre masculino grave.

Ainda que explora uma densidade menor durante a presente canção, existe pressão. Afinal, o subgrave é um elemento que salta aos ouvidos logo com o decorrer da introdução. Curiosamente, ao contrário da faixa anterior, aqui existe uma inclinação mais nítida e escancarada para com o âmbito da sensualidade. Inclusive, outra importante diferença entre elas é o idioma. Enquanto, na faixa de abertura, é o alemão que rege o lirismo, aqui é o japonês. A partir daí, quanto mais そのヒップを弾ませて avança, mais ela evidencia a sua natureza estrutural de apelo coreográfico e a sua estética mista de pop-idol e anime-pop com boas doses do tradicional sincopado rap.

O charme é algo que invariavelmente ganha uma amplitude incomensurável na presente canção. E muito dele se deve ao fato de que, aqui, é o francês o palco idiomático. Justamente por adentrar em uma atmosfera europeia, a estética sonora também sofreu uma notável modificação. De textura indubitavelmente eletrônica, a presente faixa convida o ouvinte a imergir em uma espécie de atmosfera club/chic de nuances electropops, o que denuncia o seu estímulo dançante. No entanto, outro detalhe que chama a atenção é a capacidade da faixa de transformar o grotesco em algo mais sedutor e até mesmo debochado.

Já sob a monarquia absolutista do inglês como base de seu enredo lírico, a canção parece ganhar até mesmo uma mixagem mais afinada. Afinal, seu contexto sonoro aparenta estar mais limpo e enxuto de imperfeições. Mais direta e explícita em relação às demais, Dribble That Ass traz consigo uma identidade sonora híbrida marcada pela fusão entre o rap e o electro de forma a oferecer até mesmo uma textura mais condensada e de energia ligeiramente sombria.

No que tange à versão remix de Der Hintern Dribbelt, Krey Galin oferece uma atmosfera mais orientada à energia de pista, o que sugere uma orientação ao modo. Outro detalhe é a percepção que o ouvinte adquire de que, aqui, há a priorização do ritmo ante a narrativa. Dessa forma, a faixa se torna outro exemplo que se baseia na esfera noturna.

Ao se deparar com Der Hintern Dribbelt, o ouvinte se delicia com uma coleção de canções que explora um conceito cosmopolita e multicultural a partir de enredos líricos que prezam e exaltam a dança corporal. Sempre se pautando em ambientes de conotações puramente festivas, o EP, ao trazer quatro línguas diferentes, se destaca por transitar pela estranheza e pelo humor, pela energia pop, pela ironia e pela sensualidade explícita. Decididamente, um produto cheio de apelo comercial.

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