Com seu álbum autointitulado, Hoxsey oferece experiências sonoras distintas

Ela choca, mas não pela questão da dissonância ou em razão do caos. O inesperado acontece por conta da intensa dramaticidade que rege os seus primeiros sinais sonoros. Entre notas duplas de um piano de grave reverberante e o suspiro seco do violão, trechos de um murmúrio uivante e vocálico são identificados conforme o minimalismo estético se mantém. Evoluindo de forma a explorar texturas ásperas com um curioso toque reflexivo, Humans apresenta uma paisagem sônica lexicalmente crua que ganha ritmo a partir de um compasso sincopado e de natureza interessantemente expansiva. Exortando uma base folk e um baixo de linhas graves que induzem o espectador a se pautar em uma boa dose de densidade, a faixa é completada por um lirismo banhado em autotune e apoiado no reverb, o que faz com que apresente uma estética de característica sobrenatural penetrante.

A identidade de sua sonoridade é como se a composição estivesse em um comando radiofônico de retrocesso em relação ao seu próprio desenvolvimento. Um verdadeiro estado reverso. Ainda assim, conforme adquire certa estabilidade, a faixa apresenta uma paisagem conjuntural mansa, pulsante e entorpecente. Dramática diante de seu intimismo estético, a música continua trazendo o enredo lírico sob o efeito do reverb, mantendo aquela ambiência ecoante que, especialmente aqui, destaca uma brisa psicodélica penetrante em razão do compasso em low-tempo. Living In Reverse, a partir dessas características, oferece uma experiência completamente e lexicalmente embriagante à audiência.

Aqui, a estridência, a aspereza e a crueza se encontram em uma sintonia tão densa que chega a ser visivelmente inquebrantável. Quase capaz de fornecer brisas de um corrosivo inescapável em razão de suas texturas, a faixa, assim que avança em meio à sua própria desenvoltura, exorta uma identidade rústica, rítmicamente pulsante e estruturalmente pautada em contornos de um marcante post-punk. Especialmente em Bath Salts, a forma como o enredo lírico é apresentado traz a voz do vocalista sob uma ótica mais limpa em relação àquelas exploradas anteriormente, possibilitando a perfeita degustação de suas naturezas adocicadas e brevemente aveludadas. 

O violão aparece um tanto bruto diante de sua movimentação ondulante, mas, ainda assim, denuncia um embasamento folk tão consistente quanto aquele trazido na composição de abertura do álbum. Capaz de oferecer boas noções de movimento, mesmo perante uma mesma linha sonora, o instrumento serve como uma breve recepção para  a entrada de um escopo instrumental rascante, bruto, áspero, estridente e sujo desenhado pela sincronia entre bateria, guitarra e baixo. Brincando entre torpores ácidos e momentos de intensidade corrosiva, Sea Sirens Call ainda se pauta por efeitos aéreos que amplificam a amplitude de seu cardápio sensorial.

O disco pode ser considerado curto, afinal, sua track list é composta por apenas oito títulos. Porém, o trabalho feito por Hoxsey diante de seu conteúdo merece respeito. Afinal, nessa conjuntura de composições, o artista traçou um caminho plural e versátil no que tange às noções puramente musicais, mas também estéticas.

Mergulhando na acidez como forma de explorar traços de dissonância associados à aspereza e à sujeira superficial, o cantor transformou Hoxsey em um disco que vai das influências do grunge ao post-punk passando por momentos de psicodelia intensa e andamentos pautados em downtempo embriagantes. Isso pode ser muito bem identificado principalmente no decorrer das quatro primeiras obras do material.

Ainda assim, enquanto o folk também brilha como a base melódica de certos títulos, Over The Mornings New Moon se apresenta como uma balada de nuances motivacionais e esperançosas, mesmo diante de texturas ásperas. Agraciada por certa maciez e pandeiros tilintantes que exploram a delicadeza, a faixa destaca a fragilidade de Hoxsey de forma a destacar a sua irreverência em se aventurar por aquilo que é tido como estranho e pelas esquinas sombrias da psique humana.

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