Definitivamente, a canção tem, em si, um dom inquestionável de entorpecer o espectador. Com um canto não necessariamente gutural, mas com um toque de espiritualidade marcante, ela envolve o ouvinte em uma espécie de abraço terno capaz de retirar, dele, qualquer sinal de tensão ou preocupação. Tal como uma equalização energética, portanto, o amanhecer da obra já exorta uma introspecção amorfinante de nuances, inclusive, transcendentais.
Surpreendendo o espectador uma vez mais, a canção, conforme se desenvolve, é capaz de levá-lo a um ambiente cuidadosamente dançante que passa a ser marcado por pulsos rítmicos firmes, mas adornados por uma sonoridade de identidade sintética bastante envolvente. O curioso, nesse aspecto, é perceber que, mesmo imerso em um profundo estado de torpor, o ouvinte consegue ser contagiado a mexer o corpo à sua maneira, tal como se em um estado de completo transe.
Ganhando mais ênfase em relação ao seu escopo rítmico, a composição passa a ser agraciada por maiores e mais envolventes noções de movimento, o que contribui para ousadas inclinações reflexivas que se manifestam a partir do embalo amaciado da melodia sintética. Entre pulsos bem marcados e uma sonoridade minimalista delicadamente açucarada, portanto, Ave traz Dr. GO misturando temáticas ambientes com melodias cintilantes capazes de destacar as cores e as formas misteriosas de uma nebula, enaltecendo o fascínio do DJ para com o espaço.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/2ZizVnz4CEnfi1Zf81eE1w

