Nada é rígido, muito menos os elementos que tangenciam o campo das emoções. Quando deparado com uma estrutura sonora semelhante àquela entregue por Richy McLoughlin em Days That Are Not More, o ouvinte não apenas dialoga com a introspecção, com o torpor, com o frescor ou com a melancolia. Tudo conversa de maneira harmônica e simétrica para criar um esboço sensorial que, além de marcante, atinge o patamar do penetrante.
Valsante a partir da representação do tom agudo e aveludado do violino, a canção, invariavelmente, acaba incutindo a dramaticidade e a pungência à sua receita sonoro-sensorial. Isso simplesmente coopera com o seu engrandecimento de texturas e superfícies, contribuindo para uma maior imersão por parte do ouvinte. Sem densidade, mas combinando a expressividade sisuda e séria do violoncelo conversando com os choros violinísticos, a faixa, assim que evidencia o timbre intermediário e levemente encorpado de McLoughlin, imerge o ouvinte em uma atmosfera etérea marcante.
Isso acontece graças à presença de uivos vocálicos pronunciados com um tom de aparência sintética, feminina e aguda capaz de banhar o contexto harmônico-melódico no etéreo. Linearmente harmônica, a faixa mistura ingredientes de uma new wave setentista com traços de modernidade estética no que tange à sua produção. Assim, Days That Are No More suscita a melancolia como forma de exortar um lamento nitidamente entorpecente.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/2Zhk3KjyBwtA4jzgo8dFXy
