Da República Tcheca, Deloraine lança seu novo single. Conheça Mabon!

Tudo aqui respira o místico. Desde o seu primeiro embate sonoro, a canção leva o ouvinte a experienciar o máximo de torpor enquanto a excentricidade vai amadurecendo em uma velocidade absurda a partir da escolha dos instrumentos que regem o seu corpo sonoro. Do grave trepidante e ecoante proveniente do didgeridoo conduzido por Daphyd Crow à agudez adocicadamente ácida presente na base a partir das flautas étnicas sopradas por Masha, a canção entra em um estado letárgico irresistível.

Na companhia de uma voz feminina grave que pronuncia versos vocálicos de melismas embrionários com o seu rígido sobe e desce de escalas tonais, a faixa se permite engatar em um movimento crescente que lhe configura um aspecto espiritual não apenas marcante, mas acima de tudo penetrante e hipnótico. É a partir daí que a obra flui graciosamente para um primeiro de energias mistas de um dramático esotérico enaltecido por um comportamento introspectivo envolvente. É aí que Masha explora a sua extensão vocal de forma a se aventurar no amadurecimento da dramaticidade teatral da obra, aqui, ainda conta com a maciez aconchegante da guitarra acústica e dos sinos de dedo comandados por Miloš, instrumentos responsáveis por entregar brilho a ponto de escancarar a natureza ritualística da composição.

Com direito a uma camada harmônica envolvente a ponto de ser tocante,o que acontece a partir da combinação da koncovka na superfície e da tagelharpa na base, o que suscita na obtenção de um som agudo, doce e ácido semelhante à gaita de fole, a composição acaba andando por uma espécie de linearidade estética que engrandece tanto a letargia quanto interessantes ímpetos de melancolia. Enquanto a ponte explora texturas mais ásperas semelhantes às alcançadas pelo vibraslap, Mabon evidencia, em meio ao seu lirismo de idioma tcheco, uma narrativa que combina a gratidão pela colheita e os ciclos da natureza com um tom ritualístico que preserva a imagem da comunidade ao redor da fogueira dançando, bebendo vinho ou hidromel como celebração à transição das estações com o devido orgulho e reverência.

E o que chama a atenção nisso tudo é que a obra, como produto único, segue esse conceito à risca desde a interpretação lírica, a harmonia e tangenciando com o escopo melódico. Sempre se pautando em instrumentos de natureza puramente folclórica, Mabon é a pureza do regionalismo e a essência do tradicionalismo na música, a qual ainda é marcada pela ousadia positiva de narrar o seu conteúdo na língua-mãe de Deloraine: o tcheco.

Mais informações:

Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/5xrI4ImUrTsJxDGA63nKWe