David Rothenberg embarca em seu estilo experimental e lança o álbum “Four Fold”

Um dos projetos mais ousados para David Rothenberg acaba de ser lançado. O álbum “Four Fold” do clarinetista recebe o talento da maestrina, percussionista e pianista Marilyn Crispell, assim como a rabequista Benedicte Maurseth. Além disso, o trabalho ainda conta com a presença de Iva Bittova, vocalista e violinista. Com onze faixas, o ‘full-length’ se inicia com “Folding”, uma expressão melancólica catalisadora de climas soturnos gerados pela harmonia dos instrumentos. Essa atmosfera sombria e quase mórbida deságua em “Ashlight” que, por sua vez, destaca um solo sofredor de violino. Suas notas graves, deslizantes pelas notas de teclado refletem um estado de inércia equiparado apenas por estátuas de mármore.

A sequência traz o som atormentador de “Syncline” com notas graves de sopro, uma base de piano horripilante e algumas abstrações sonoras. Aqui, o experimentalismo fomentado no jazz e psicodelismo é latente. Uma mente como a de Rothenberg que, além de músico e compositor é escritor, só podia oferecer algo tão peculiar. Algo que sentimos mais do que ouvimos como em “Know No No”. Depois disso, a profundidade musical busca caminhos para ser ouvida com toques intimistas do teclado, acompanhados pelo arco do violino. Essas são as características principais de “Ruffle”, que chega em progressão e termina em regressão.

Uma das faixas mais curtas do repertório, “Anticline”, possui poderes sensoriais capazes de causar curiosidade até no pet que você tem em casa. São notas curiosas de clarinete, piano e outros elementos que transcendem à melodia. Para expressões como as de “Magpie, Moth” pudessem sair em tal estado de transe, o quarteto trabalhou por horas no Nevessa Studios. O trabalho que no início, em 2018, surgiu com apenas três pessoas, trouxe Bittová por último, em 2019. Músicas como “Crinkle”, representam leveza, repouso da alma e sentimentos intimistas. Uma execução leve, serena e cativante.

Em “Soft Fall”, a exploração de elementos continua de maneira ainda mais imersiva. Notas longas de piano, vocais melancólicos e efeitos da natureza estão muito bem contidos aqui. Quem acompanha Rothenberg nessa jornada surrealista, captando todos os sons sem restrições é o engenheiro de som Chris Andersen, colaborador de longa data do artista. Trabalhos importantes como em “Opposite of Time”, passaram por seus ouvidos ágeis. Andersen também já trabalhou com Crispell na mesma proporção. Para finalizar este álbum fino, singular e intrigante o repertório chama “Unfolding”. Para fazer um breve resumo, “Four Fold” é uma bela coleção inspirada e dedicada à natureza embelezada por formas e movimentos estimulados pelo poder da música transcendental.

Ouça “Four Fold” pelo Bandcamp:

https://terranovamusic.bandcamp.com/album/four-fold

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