A canção já se mostra envolta em uma crueza estética embebida em generosas doses de acidez. Evidenciando, sem demora, a sua natureza rap, a faixa consegue explorar, com bastante facilidade, uma cenografia urbana, enquanto H.E.M. Steel, com seu timbre grave e azedo, desfila um enredo lírico embrionariamente sincopado. Sob a cadência pulsante do beat, é interessante perceber que Tha City Vibez é capaz de providenciar nuances sensuais que soam até mesmo audaciosas ao se atentar ao contexto rítmico-melódico.
Através de um dedilhar delicadamente acelerado do piano, o que o faz criar uma sonoridade ondulante, dramática e ligeiramente aguda, a canção explora, em meio ao seu despertar, uma natureza melódica inovadora por providenciar um aprofundamento no escopo sensorial. Apoiado na utilização de subgraves que deixam o enredo rítmico ainda mais duro e forte, o rapper acaba desfilando, em Where Tha Moneys At, uma espécie de monólogo de caráter que soa inquestionavelmente autobiográfico por passar conhecimento de causa e embasamento a cada palavra proferida.
Delicada, aveludada, frágil e floral. O início da nova composição dá ao ouvinte a ideia de se tratar da primeira balada de DC’s United The EP, principalmente em virtude de sua estrutura propriamente melodiosa, ainda que construída de maneira sintética. Desenhada na combinação intimista e vulnerável do violão e da guitarra, I Promise nasce exortando interessantes incursões do R&B em meio à sua estética. Em verdade, essa natureza rítmico-melódica serve para lhe conferir, mesmo quando flui para um terreno governado pelo beat sincopado, um viés visceral que mistura romance e promessas de transformações de vida.
Saindo do intimismo entristecido, romântico, dramático e melancólico de I Promise, Steel oferece, aqui, uma atmosfera sensual que faz presente desde o primeiro sonar. E o interessante é que esse som diz respeito ao timbre agudo e adocicadamente ácido de Keyz The Virgo, que, rapidamente, puxa o nascimento do enredo lírico. Embasada em beats que soam opacos a tal ponto que são recebidos pelo ouvinte de maneira amorfinante, All Night se desenvolve em meio a um viés percussivo que, diferente daquilo que foi vivenciado anteriormente, não soa duro ou cru. Seu movimento macio confere à obra uma agradável e feliz experiência rítmica que chega a entorpecer o ouvinte.
O sonar tilintantemente grave do sino e o beat delicadamente ecoante do beat dá à composição uma natureza dramática sem nem mesmo estar no ápice de sua desenvoltura. De pulsos pungentes embebidos no apoio do subgrave, a canção garante para si compasso e sensualidade, mas o que chama a atenção, definitivamente, a incursão da interpretação lírica assumida pelo rapper. Oferecendo ideias que vão de ímpetos de desespero a agonias incontroláveis, o cantor faz de Won’t Go Crazy outro título que merece uma audição especial para que se possa capturar as nuances emocionais que, nela, estão presentes.
O romantismo e a sensualidade voltam a imperar. Talvez até mais do que foi vivido em I Promise, a presente canção traz uma espécie de fragilidade envolta em uma atmosfera que pede por cuidado, carinho e, portanto, atenção. Delicadamente açucarada em virtude da adoção do teclado, a faixa ganha uma camada melódica que, uma vez mais, pincela flertes com o R&B. Contando com a presença de Ainae e seu timbre açucaradamente equilibrado durante o refrão de maneira a engrandecer o drama, Hold Me Back se mostra outra cativante balada do EP.
DC’s United The EP é um material profundo tanto no que tange o escopo rítmico-melódico quanto aquele inerente ao lirismo. Explorando texturas típicas do rap, como beats sincopados, cadências cruas, rimas, pulsos firmes vindos do subgrave e atmosferas urbanas, o material chama a atenção por, também, trazer delicadeza e exortar, sem qualquer vergonha, a ideia de vulnerabilidade.
Marcada essencialmente em títulos como I Promise e Hold Me Back, esse viés se destaca, também, por promover a fusão do R&B na receita do material, possibilitando a percepção de novas nuances de fluidez rítmico-melódicas e profundidade no aventurar pelo ambiente das emoções. Dramático, pungente e comovente, o novo EP de H.E.M. Steel é como um espelho da vida real e das inseguranças que muitos lutam para esconder.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/3arZGZXQGoIFwYkpr0qe9V
Soundcloud: https://on.soundcloud.com/mVtt4PrPV6vEFSaGA
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