Para os amantes de hard rock, o início da primeira canção já faz os ouvidos se atentarem e, os pelos, se eriçarem. Através de uma guitarra distorcida em um tom grave, mas caminhando solitária perante um movimento provocativo de leve ardência, a faixa mergulha em um universo sensual cheio de precisão e consistência graças à transparência sonora do baixo e à sujeira da levada rítmica. Guiada por uma voz masculina de timbre intermediário suavemente nasal vindo de Will Sims, Full Speed Ahead traz consigo uma fusão de rock alternativo em meio a uma atmosfera noturna urbana.
O baixo continua com sua sonoridade cristalina, mas, ao contrário da música anterior, é ele quem puxa a introdução. Grave e denso no limite da estridência, o instrumento é acompanhado por sons ásperos digitalizados que flertam com o lo-fi em meio a uma paisagem de caráter inicialmente stoner. De lirismo interpretado sob uma postura empoderada e imponente, Better Off Alone transpira confiança e um senso de autossuficiência.
Ainda que a bateria puxe a introdução de maneira a sugerir certo quê de crueza, o que acontece é que ela, em meio a uma desenvoltura que desfila precisão, faz com que a atmosfera seja tomada por um clima dançante a ponto de flertar com a disco music. Sensual e com brisas popeadas, eis aqui uma faixa com importante participação do sintetizador na ânsia de criar um clima modernista. Na companhia de Lindsay Collette e seu timbre agudo levemente açucarado moldando o backing vocal, Amber Eyes é uma faixa contagiante e de veia sensualmente dançante, mas sem a existência de uma conotação propriamente sexual.
Pela maneira com que a guitarra se apresenta, macia, meiga, de temperatura morna e comportamento compassivo, é chegada a primeira balada do álbum. Na companhia do piano moldando a camada harmônica, a canção passa a ser possuinte de um tocante dulçor e uma encantadora gentileza delicada. Intimista, The World Outside flerta com o épico em meio a uma arquitetura que tangencia uma espécie de pop cristão com direito a um coro harmônico e um drama que sugere o senso de resiliência.
Não que seja necessariamente solar, mas a canção, em meio aos pulsos cadenciados da bateria, traz consigo uma temperatura agradável e um céu claro. Ainda assim, é preciso pontuar o fato de que a afinação e a movimentação com as quais a guitarra se apresenta inunda o ambiente com um senso pegajoso de melancolia. Surpreendentemente, a partir do primeiro verso Decisions, Decisions adquire uma estrutura rítmico-melódica pulsante e sensual que comunica ligeiras influências do reggae em sua aparência. Ainda que timidamente dançante, a canção se destaca por fundir contágio e torpor.
Com Do You Feel Alive?, Will Sims consegue oferecer ao ouvinte uma viagem sônica completa. Vasta. Afinal, cada uma de suas sete composições sugere um cardápio generoso de sonoridades e estruturas, fazendo com que sejam produtos únicos entre si. Ao não haver semelhanças estéticas entre elas, portanto, o álbum é regido por uma autenticidade audaciosa, agradando aos diversos públicos.
Ainda que isso se torne mais latente no decorrer de suas cinco primeiras faixas, o hard rock, o rock alternativo, o stoner rock, a disco music, o pop e o reggae estão juntos em um mesmo ecossistema. Marcado por um baixo cristalino e por uma bateria pulsante, além de participações especiais, o álbum caminha por sensibilidades que vão da sensualidade ao drama e à melancolia. Do You Feel Alive? é, portanto, um disco versátil, experimental e, o mais importante: preciso e consistente.
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