Enquanto, no que tange a sonoridade, a canção caminha por enttre súbitos de drama envoltos em uma necessidade introspectiva acerca da busca de respostas inalcançáveis, o vídeo é repleto de imagens, digamos, pitorescas. Do acasalamento de ovelhas à cena de um homem sem a roupa de baixo se olhando pelo espelho do banheiro, o vídeo se mostra atingir uma sintonia audaciosa e surpreendente em relação ao conteúdo visual.
Focando no rosto do protagonista, o take escancara o olhar entristecido e distante ao mesmo tempo em que dá ênfase à utilização de um nariz de palhaço. Comunicando, assim, ideias que vão da imaturidade até questões mais profundas inerentes à manipulação, o vídeo consegue atiçar a curiosidade do expectador e, consequentemente, fazê-lo querer descobrir os próximos passos da narrativa.
Ainda que seu instrumental caminhe diante de um minimalismo estrutural, a canção acaba caminhando por um circuito que sai do torpor entristecido e entra, surpreendentemente, em uma tomada de ânimo gradativo. Não é à toa que o protagonista do vídeo, em um súbito, entra em uma perspectiva motivadora e positiva. É como se ele estivesse no domínio não apenas da positividade e da esperança, mas guiado por um toque preciso de resiliência e determinação.
Da forma como o vídeo é construído, ainda que dê vida visual a Doesn’t Really Matter, uma faixa que discute os conflitos existenciais, ele faz com que o protagonista saia do limbo da depressão e seja capturado por uma feliz e necessária ânsia pela vida. Inclusive, como uma espécie de subtópico, o conteúdo ainda dialoga sobre autoestima e autovalorização, o que o torna tocante e plural.
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