É interessante a forma como a composição exorta sua introdução. Com uma delicadeza swingada que já oferece ao ouvinte uma conotação pertinente ao universo sonoro da música indie, a estrutura rítmico-melódica ofertada se apresenta diante de uma mistura de dulçor, suavidade, agudez e brisas de uma sensualidade levemente sintética.
Agraciada por uma guitarra mansa e de riff macio em meio à sua branda malemolência, a faixa acaba sendo respaldada por uma cadência rítmica em total sintonia com a experiência sensorial ofertada pelo primeiro instrumento. Ainda que conciso, o escopo rítmico é aquele fator que desfila consistência e, até mesmo, um ligeiro acesso de lucidez, possibilitando, ao espectador, uma degustação mais realista de cada camada em processo de evidência.
Assim que o enredo lírico começa a ganhar vida, algo que acontece graças à entrada de uma voz aguda e deliciosamente aveludada em sua delicadeza açucarada, a faixa conquista para si uma beleza que beira a sensorialidade do descompromisso e da despreocupação, tangenciando, consequentemente, com uma espécie de êxtase de bem-estar.
Com direito a um refrão contagiante, chiclete e viciante, a canção consegue fazer com que o ouvinte se sinta livre para se entregar às motivações dançantes por ela instigadas. A partir daí, se percebe a existência de um apelo educado, sem qualquer menção mercadológica ou, portanto, radiofônica. Aqui, a atração parece ter sido alcançada de forma orgânica e natural, provando a capacidade musical de Poolguard.
Lembrando vagamente as estruturas sonoras criadas por nomes como Foster The People em suas respectivas composições, Drunk In Idaho explora uma leve que, durante seu ápice narrativo, instiga nuances de intrigante curiosidade no espectador. Isso acontece porque, em certo momento, o ouvinte passa a ser banhado por uma brisa nostálgica embriagante que causa não apenas conforto, mas, de fato, uma saudade graciosa de tempos, de fato, felizes.
É nesse instante, portanto, que a audiência se permite mergulhar profundamente no significado do enredo lírico proposto. Tratando sobre amadurecimento, mas também uma vontade quase desesperada para controlar o tempo e retornar aos momentos em que a leveza e consequente ausência de responsabilidade eram coisas normais e, inclusive, aceitas, Drunk In Idaho captura, paradoxalmente, a necessidade e uma vontade genuína do personagem lírico em mudar, uma metáfora plausível ao processo de amadurecimento.
A busca por motivação, propósito e senso de pertencimento, invariavelmente, acompanha o indivíduo em seu processo particular de crescimento. E com o protagonista da presente faixa não é diferente. Aqui, ele simplesmente lida com a mudança do tempo, as mudanças naturais de consciência e a consequente virada de página de um passado sem responsabilidade para um mundo adulto em que a consciência é pedida constantemente.
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