Pode até ser que o violão traga consigo traços de um ligeiro swing a partir da maneira com que cria a sua melodia. Ainda assim, é inevitável a percepção de que, diante de cada golpe seco que censura o reverberar de suas cordas, o instrumento comunique ao ouvinte a existência de inclinações para com a melancolia. Claro que isso não é fator determinante para que a obra deixe a sua identidade vulnerável.
Mantendo, portanto, o seu caráter comportamental introspectivo, mas transpirando certos traços de aparente deboche, a composição ganha corpo e densidade com a entrada de um baixo de groove gordo, grave e marcante perante a base melódica. Junto de um pulso rítmico agora produzido por meios naturalmente percussivos, o instrumento acaba conseguindo ampliar não apenas a sensualidade, mas também uma tristeza escondida em meio a véus de consciência e maturidade.
Liricamente narrada por uma voz masculina harmônica que transita entre versos sussurrantes e abertos, a faixa chama a atenção por ter, em sua estrutura, resquícios do soul pelo grau de corpulência que o seu swing exala na companhia da interpretação lírica de aparência sincopada. Entorpecente, NOT A LOVE SONG traz toda a identidade pop alternativa do duo australiano M & J.
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