É interessante a forma como a canção, desde seu início imediato, consegue combinar leveza, introspecção e melancolia. Com uma brandura palpável, a faixa se desenvolve através dos sopros de uma brisa gélida vinda de um horizonte monocromático em seu tom cinza espectral, cenografia essa ofertada por meio do antamento ondulante do violão.
Rapidamente, porém, o ouvinte é colocado em contato com uma voz feminina que se encontra no limite do dulçor. De posse de Freya Magee, ela preenche não apenas o escopo lírico em si, mas o ambiente como um todo, por meio de uma delicadeza que chega a ser até mesmo tocante. Com seu toque agudo marcante, a cantora acaba sendo a responsável por, também, dar ao ouvinte uma feliz noção de movimento diante da linearidade da melodia minimalista que abraça a canção.
Crescendo de forma a explorar conotações uivantes por meio da contribuição pontual da guitarra, a faixa mantém sua linearidade estética de forma a incentivar, no ouvinte, a aquisição de um senso pegajoso de torpor. Ainda assim, é nesse momento de singela elevação que Duplicity deixa clara a sua temática ao sugerir uma reflexão acerca das noções de identidade em meio aos ímpetos de indecisão e tensão emocional.
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