A canção já começa com uma estrutura madura. Leve, mas firme em sua proposta em promover o contágio através de uma atmosfera fresca, sincopada e swingada, a faixa combina instrumentação padrão contendo bateria, guitarra e baixo com a adesão do charme aveludado do saxofone. Explorando compassos de pura precisão e consistência, Source convida o ouvinte a mergulhar no universo do jazz a partir de experiências sensoriais que vão desde a leveza ao torpor.
O violino, com sua postura espreguiçante e quase regozijante, rompe o silêncio puxando a introdução da composição com uma tomada levemente vanguardista. Assumindo, consequentemente, a função de protagonista melódico-estético da obra, o instrumento ainda fica encarregado de construir os primeiros sinais harmônicos enquanto abraçado por um compasso rítmico levemente requebrado. É então que, surpreendentemente, Dealing With It leva o espectador a interagir diretamente com um dueto desenhado entre Chanda Rule e David Banks. Por meio dele, a canção assume um senso de completa morfina que, consequentemente, se permite interagir com brisas de uma sensualidade penetrante.
Com boa e marcante presença do baixo construindo uma base melódica robusta por meio de seu groove encorpado, a canção promove a retomada do jazz em sua forma clássica. Com direito a uma guitarra suspirante e uma bateria tilintante de andamento lento, a faixa tem, no saxofone, a figura que, além de desenvolver a harmonia, entrega veludo e delicadeza. Por meio dele, a faixa-título, inclusive, é agraciada por uma postura introspectiva envolvente.
O baixo, nesse novo cenário, desfruta de uma postura denotativamente provocante. Talvez, até mesmo cínica. Com a ajuda do compasso firme e levemente trotante da bateria, o instrumento consegue combinar densidade com provocação e, consequentemente, sensualidade. Agraciada, a partir daí, pela construção de um andamento sonoro amaciado, The Cauldron surpreende o ouvinte com a presença da voz potente, gutural e soprano de Adriana Valdéz, além do tom azedo de Robert C. Ford que dá vida à ponte.

Macia, sensual, swingada, fluida e, portanto, com boa noção de movimento, a faixa oferece um clima morno bastante convidativo. Fazendo com que o ouvinte sinta o charme de uma noite sessentista em plena Louisiana, é interessante perceber como Petrichor, de alguma forma, acaba incluindo, em sua receita, ligeiras pitadas de bossa nova, lhe conferindo um toque artístico vanguardista ainda maior. Aqui, uma vez mais, é comprovada a perfeita sintonia estético-sensorial entre guitarra e saxofone, a qual propõe um caminhar contínuo entre veludo e frescor.
Elegy é um álbum que dispensa comentários. Afinal, sua estrutura, desde o início, mostrou generosa maturidade e consciência. Mostrou, inclusive, uma sensibilidade afiada no que tange a percepção de combinações sonoras capazes de soar, ao mesmo tempo, harmônicas e melódicas. Vanguardista, acima de tudo, o álbum propõe linhas líricas surpreendentes que engrandecem sobremaneira a experiência auditiva do espectador.
Tendo essas qualidades mais salientadas diante das quatro primeiras obras da track list, Elegy é, como um todo, definido como uma perfeita joia ainda a ser lapidada. De atmosfera crua, portanto, o álbum destaca a beleza da máxima pureza enquanto recoloca o jazz no centro dos holofotes. Um produto definitivamente belo.
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