Compondo músicas desde os 19 anos, Steve Adams finalmente se viu apto e à vontade na arte de desenvolver um material cheio. Sob o pseudônimo Grizzberg, o inglês anuncia, para a primeira quinzena de junho deste ano, o lançamento de A Wonder Trough Time, seu EP de estreia.
Para a Roadie Music, Adams não apenas dissecou o material, como também contou sobre sua trajetória, seu processo criativo e falou, inclusive, sobre as diferenças entre ser um músico e assumir as vestes de DJ. Para saber sobre esses outros e outros assuntos mais, acompanhe a entrevista na íntegra:
Roadie Music: Você começou a compor aos 19 anos. De lá para cá, como se vê não apenas como compositor, mas como um artista multifacetado que transita amaciadamente entre o digital e o campo da música orgânica?
Grizzberg: Primeiro de tudo, gostaria de agradecer pelo espaço!
Meu progresso como músico se desenvolveu em diferentes áreas ao longo dos anos. Entre 15, 16 anos, comecei com uma base acústica. E assim foi até os meus 19 anos. Nessa idade, passei a me interessar pela música eletrônica e, consequentemente, a compor músicas desse estilo.
Eu diria que meu padrão melhorou muito ao longo dos anos no que se refere às minhas habilidades com a guitarra e na criação de progressões de acordes no teclado. Meu estilo de composição também progrediu, evoluindo de letras básicas para outras com significados mais profundos e complexos.
Esse tem sido, eu diria, um progresso natural. Porém, eu realmente vou de um estilo ao outro, independente de estar compondo para uma base acústica ou mergulhando em texturas direcionadas à música eletrônica, house ou break. Essa mescla é o que mantém, a meu ver, o toque de frescor na música. Até porque, eu tenho que lidar com os diversos tipos de sons.
Não é à toa que eu tenho três alter egos para identificar meus diferentes estilos: Steve Adams, para identificar a musicalidade eletrônica, Land Manmal voltado ao house progressivo, e Grizzberg. Nesse pseudônimo, identifico a fusão entre a guitarra e a paisagem eletrônica.
RM: Você prefere ser reconhecido como músico ou DJ? Ainda, artisticamente falando, qual, na sua opinião, é a principal diferença entre ser um DJ e um músico?
G: Eu comecei como DJ e progredi entre os dois mundos ao longo dos anos. Atualmente, me vejo mais como um músico multifacetado sob diferentes pseudônimos. Transitando pela atuação de músico, porém, se tem muito mais a oferecer em virtude do quão criativo e expansivo se pode se tornar.
Como DJ, inclusive, se puxa ainda mais a criatividade. E eu realmente gosto de criar minha própria música! Isso é extremamente satisfatório! Essa função, a qual tem tudo a ver comigo! A ocupação de músico, por outro lado, frequentemente pede a cooperação de outras pessoas. Eu, inclusive, incluo meu parceiro de composição nas linhas vocais de algumas das minhas músicas eletrônicas. Até mesmo a minha irmã eu ponho para jogo! De minha parte, também coloco minha voz em algumas faixas!
RM: Agora falando especificamente sobre A Wonder Through Time, seu primeiro trabalho sob o pseudônimo Grizzberg. O que te influenciou a criar músicas com instrumentos simultaneamente orgânicos e crus?
G: Minhas influências vêm de diversos aspectos e áreas, indo das minhas lembranças de criança sobre música até meu pai, que ouvia Moody Blues. Aí vem minha juventude, fase em que ouvia Oasis, Radiohead, música shoegaze como Cocteau Twins e diversas músicas com guitarra atmosférica.
Bandas como Mogwai, Death In Vega e Yppah capturaram minha atenção por igual e me inspiraram a produzir e fundir música eletrônica com guitarra e sons crus de bateria. Esses sons me levaram a criar meu pseudônimo Grizzberg e as músicas desse EP!
RM: Esse material consiste em um EP de apenas três faixas. Como você vê a relação do número de músicas e a qualidade no âmbito da produção e composição? Às vezes, é melhor uma lista de faixas extensa ou uma enxuta para se ter um trabalho de qualidade?
G: A respeito do EP, a qualidade das músicas é importante a depender do ponto da carreira em que você se encontra. Como esse é um novo projeto, três faixas é o ideal para começar a apresentar, ao ouvinte, pistas das temáticas abordadas pelo artista. Se eu me propusesse a lançar um álbum, poderia correr o risco de perder algumas composições em razão de terem sido escritas muitas músicas de uma só vez. Se eu já dispusesse de bastante exposição, talvez até a criação de um trabalho maior fosse considera. Gostaria de ver como esse material irá se comportar até meu próximo lançamento!
RM: Ouvindo a faixa-título, percebo referências de nomes como R.E.M. na forma como você desenvolve um tipo de paisagem reflexiva e onírica perante a combinação da sonoridade instrumental. Na sua opinião, qual é a melhor maneira de fazer um som falar, por si só, de maneira emocional e cirúrgica, mas com propriedades reflexivas?
G: Originalidade tem que ser um fator existente desde o momento em que a música está sendo criada. Gosto de dar tudo de mim para soar único. Em termos de produção, gosto de engrossar o som para que ele se destaque! Isso é possível através do uso de várias camadas em diferentes oitavas. Em seguida, se equaliza cada canal individualmente para que cada faixa se comunique harmonicamente entre si. Isso permite que o som fique maior do que deveria, criando, assim, um impacto abrangente. Essas sonoridades podem ser rítmicas ou, simplesmente, uma melodia principal. Tocar com diferentes tipos de sonoridade é uma das melhores etapas do processo criativo!
RM: One Thing I’d Say traz uma atmosfera mais macia e fresca. Me sinto bem relaxado com a energia terna que essa música oferece! No entanto, uma coisa que gostaria de pontuar é o som único que você cria com a guitarra. Ela tem uma assinatura poderosa que envolve o ouvinte com seu ecossistema aveludado e transcendental. Essa sensorialidade foi criada propositadamente?
G: Minhas influências para essa música trazem um pouco do estilo do Radiohead no que se refere ao uso de uma guitarra solo e um baixo imponentes ecoando por toda a música. Assim que me soltei, acabei criando uma camada que realmente gostei de ouvir! Isso foi desenhado sem qualquer ideia preconcebida, além do fato de que eu gostaria de usar um som stereo pesado de baixo. Daí em diante, abracei essa melodia com uma série de outras camadas de guitarra para criar uma linha de sonoridade espessa e chocante. Gosto, inclusive, de quando a bateria se coloca na música. Nesse momento, a canção ganha presença e estilo!
RM: Agora nós chegamos na última música. Em Going To One Thing To Another Very Quickly, você apresenta um profundo estado de introspecção de uma forma que eu, pessoalmente, me senti na companhia de uma boa dose de melancolia flutuando pelo ar. Pulsante, mas também delicada, essa música permite que o ouvinte caminhe por um terreno entorpecente. Gostaria muito de saber se você se considera uma pessoa expansiva ou tímida. Esse detalhe te ajudou a criar esse tipo de ambiente sensorial?
G: Essa é uma boa questão! Às vezes me sinto introvertido, uma vez que gosto de criar músicas por minha conta e em meu próprio estúdio. Esse processo pode levar horas e me impede que veja uma pessoa sequer. Porém, em outros momentos gosto de compor com amigos.
De forma geral, diria que eu sou um tipo de pessoa que gosta de anotar diversas coisas e ideias para músicas tanto enquanto viajo ou enquanto estou em casa mesmo. Essa música, em especial, captura meus pensamentos mais íntimos com toques de euforia pela vida espalhados aqui e ali. Assim que criei a linha do teclado, pensei: ‘é, já consigo ver o arranjo dessa música!’.
RM: Na sua opinião, qual é o mais puro papel da música na atualidade?
G: A função mais pura da música atualmente é criar sem influência. O que quero dizer é não usar outras canções como referência ou tentar evitar copiar a composição de outro músico. Deixar a música fluir de dentro e ver como ela se mostra fisicamente quando completamente estabelecida.
Aprender o máximo de instrumentos possível também é outra forma de conquistar autenticidade. Mesmo se você não souber como tocar algo, apenas aprenda os rudimentos básicos e comece a compor. Por exemplo, tive minha primeira guitarra na adolescência sem ter tido aula. Eu simplesmente copiei as melodias do Noel Gallagher de alguns programas da MTV.
Ah, também é interessante aprender a tocar com amigos! Se um de seus amigos sabe tocar algo, pode estudar com ele! Na música, não há regras! Então ninguém pode chegar em você e dizer que o que está tocando é bom ou ruim. Depende exclusivamente de você o quanto se quer dedicar.
O que é mais importante nisso tudo é aproveitar tudo o que está ao seu alcance. Como a música é um gigantesco universo de emoções, você sempre terá uma forma de se expressar! Você pode fazer isso através da guitarra, do canto, do piano, da bateria, do baixo, o que for!
RM: Sobre A Wonder Through Time, qual é a principal mensagem que você deseja espalhar? Você conseguiu esse feito?
G: Música é sobre expressão, como mencionei anteriormente. Então, eu construí as canções desse EP com minhas ideias, meus pensamentos, minhas crenças e criatividade. Não existem planos na música além de refletir sobre qual instrumento deve ser usado em cada sessão. Uma vez que eu ouço um som, independente se vem da bateria, do baixo, da voz ou de qualquer outra fonte, esse é o ponto crucial para se começar uma canção.
A faixa-título do EP demonstra alguém que pensa muito a respeito da vida e como a sua respectiva experiência tem sido até o momento. Os ouvintes terão diferentes ideias através daquilo que lhes é apresentado, então a interpretação cabe a cada indivíduo. Esse EP consiste na coleção de três músicas escritas no mesmo período, com cada uma servindo seu próprio propósito para com a audiência. Porém, todas as composições estão interligadas como uma espécie de três capítulos de uma pequena história.
A Wonder Through Time tem lançamento previsto para o dia 20 de junho.
Mais informações:
Soundcloud: https://soundcloud.com/grizz_uk
Instagram: https://www.instagram.com/grizzberg_music/
Distrokid: https://distrokid.com/hyperfollow/grizzberg/a-wonder-through-time
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