O compasso já é estimulante. Não necessariamente dançante, mas já capaz de incitar curiosidade e súbitos sensos inerentes à sensualidade. Por meio de sonares sintéticos que se combinam entre brisas azedas e estridentes, a faixa, durante sua introdução, ainda insere toques de suspense inquietantes por meio de sua camada instrumental.
Misturando nuances estruturais do universo indie, mas, também, com generosas abordagens do contexto eletrônico, a faixa, a partir do primeiro sinal da presença vocal, o que acontece quando Joshua Pearlstein invade o cenário com uma pronúncia quase regozijante, acaba oferecendo interessantes semelhanças estéticas para com canções como Gimme More, creditada à Britney Spears, e SexyBack, single de Justin Timberlake.
Adquirindo, portanto, uma arquitetura sonora calcada na paisagem do dance pop, a faixa se permite transitar por sensorialidades imersas na percepção da sedução, do contato corpo a corpo. Dançante em sua máxima essência, Just The Feeling sugere uma atmosfera noturna de ligeiras brisas romanceadas enquanto dialoga sobre uma paixão tóxica, mas, ao mesmo tempo, viciante.
Ainda que não tão vibrante, a faixa é regida por beats sedutores e hipnóticos e uma interpretação lírica não apenas cativante, mas, acima de tudo, penetrante. Baseada em um espectro rítmico linear, contudo, Just The Feeling ganha o espectador pela sua energia quente e densamente provocante.
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