Apesar de ser puxada pelos golpes sequenciais na caixa da bateria, a canção constrói sua atmosfera de maneira a fazer prevalecer a energia der completa e atraente brandura. Fresca e lexicalmente delicada em sua essência, a composição, desde seu início imediato, explora uma postura introspectiva que torna possível a obtenção de cuidadosos vislumbres de melancolia vindos da brisa trazida do horizonte.
Ainda que a distorção da guitarra oferece à canção um detalhe ácido que levanta a energia por ela disseminada, o torpor é algo que mantém seu protagonismo sensorial inabalável. Inalterado. Nesse quesito, é preciso pontuar que a própria guitarra, apesar de se apresentar embasada com tal sonoridade, ela desenvolve um andamento aveludado e assume uma postura chorosa, pensativa e lacrimal.
No instante em que o primeiro verso enfim se anuncia, a composição passa a ser agraciada pela presença de uma linha lírica charmosamente intimista que se sobressai perante a tímida interação das notas doces e gentis do piano para com o resto dos elementos instrumentais. De refrão estruturalmente bem trabalhado em meio à combinação da acidez açucarada do hammond, o frescor do violão e a precisão da bateria, Never Say Sorry escancara o sentimentalismo expresso por Michellar diante de um enredo que reflete sobre o amor, a saudade e autodescobrimento.
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