Seu despertar já conduz o ouvinte perante um ambiente intrigante. Afinal, sem precisar de muito auxílio sonoro, o cativo é uma qualidade muito presente em seu ecossistema. Diante de pulsos sequenciais instigantes, os quais são milimetricamente acompanhados por uma linha de baixo precisa e marcante, a canção é capaz de oferecer uma sonoridade firme e com uma boa noção de surpresa.
Uma dessas boas surpresas, ainda que não seja inserida em cena de supetão, é o sintetizador. O instrumento constrói uma base melódica aromática, adocicada e entorpecente, de forma que o ouvinte se sente abraçado e envolvido em um senso de êxtase de conforto em virtude do toque de veludo que é transpirado. Justamente nesse instante, boas noções estruturais são lançadas, de forma a fazer com que o espectador perceba o contexto da sonoridade em desenvolvimento.
Capaz de ambientá-lo não somente na década de 70, mas também no início da de 80, a faixa faz com que o ouvinte sinta incursões pertinentes tanto ao post-punk ao estilo The Cure quanto uma embrionária ideia new wave que bebe de uma singela referência a David Bowie. Suspirante em virtude da postura da guitarra, Epilogue também é capaz de introduzir nuances new ages em sua paisagem graças às suas ligeiras inclinações para com o etéreo, detalhe que, curiosamente, é engrandecido com a presença da voz encorpada e de base doce do vocalista, quem, inclusive, dá, à obra, uma postura intimista.
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