É surpreendente. Após uma introdução vocal de estética ecoante, a canção leva o ouvinte para um cenário de energia sensual dominada por uma sonoridade adocicadamente áspera trazida pelo sintetizador que, curiosamente, traz muita igualdade dos tons retirados dos violinos. Ganhando cadência e firmeza por meio de um beat preciso e sincopado, a faixa passa a ser liricamente guiada por uma voz masculina de conotações digitais que tornam a sua atmosfera envolvente. Afinando e incutindo novas fontes de melodia ao contexto estético, o cantor vai evidenciando os contornos reggaeados que marcam a paisagem da canção. Entre a sensualidade, o groove e a leveza pulsante perpetrada pelo teclado e suas notas matematicamente posicionadas, War (Nick-All DNB Remix) ainda se beneficia da exploração de texturas estridentes combinadas entre o agudo e o áspero na ampliação de seu leque sensorial, se tornando uma importante composição de todo o álbum.
Marcada pelo seu clima introspectivo e de energias interessantemente guturais, Lost Knight caminha por um terreno que dá destaque não necessariamente ao atmosférico, mas ao etéreo de uma forma bastante hipnotizante. Dramática, a faixa cresce a tal ponto que destaca o seu beat arrastado que fornece audaciosas menções ao drum n’ bass no ecossistema. Cheia de superfícies ríspidas, a faixa, quanto mais avança em meio à sua própria desenvoltura, mais destaca a sua natureza devidamente drum n’ bass.
Away já é marcada, desde o seu início imediato, pela exploração de uma ambiência indiscutivelmente imersiva. Curiosamente, porém, a presença de pulsos rítmicos duros, firmes e enfaticamente pronunciados tira o ouvinte de seu estado latente de torpor e o coloca em contato com uma sonoridade ecoante. Com direito ao destaque da presença do chiado em sua paisagem, a faixa evolui a um instante em que o beat se mostra sincopado e seus sons sintéticos regidos por uma temperatura fria que, uma vez mais, introduz o drum n’ bass ao centro da discussão.
Em razão de suas notas graves posicionadas na base melódica, a composição, desde o seu início imediato, parece caminhar por um terreno dramático. Mesmo na presença da sobreposição de sons tilintantes e equilibradamente agudos, a faixa parece querer de fato se aventurar pelo introspectivo no que tange à perfeita elucidação da melancolia. Com momentos de movimentos melódicos curiosamente valsantes, Too Long surpreende por tentar disseminar estímulos dançantes por meio de seus pulsos cadenciados de forma a fornecer vislumbres technos até o momento em que amadurece em seu molde house.
Essentials não é apenas um material de música eletrônica em sua forma léxica. Sim, é verdade que ele explora esses universos, mas a sua base não pode ser definida por algo palpável, uma vez que ela consiste no ato de criação. Tendo a criatividade como mote de sua construção, o produto se vale da categorização do experimentalismo, detalhe que circunda cada uma de suas 12 faixas, sem exceção.
Entre momentos de introspecção, outros e drama e ambientes em que a melancolia impera, o conteúdo também ousa fundir trechos de estímulos incontestavelmente dançantes movidos a pulsos rítmicos capazes de ser sincopados e simplesmente cadenciados. A partir daí, é interessante ver como o drum n’ bass e o universo da house music se encontram de forma a criar um ecossistema harmônico, fluido e sedutor.
Além de suas quatro faixas receberem maior atenção por salientarem os dizeres até aqui pontuados, Sting, com seu clima festivo, e The Essential Is… com a sua introdução atmosférica e etérea, fecham a conta dos destaques de um álbum que, ainda, mergulha na roupagem do reggae na sua principal obra. Diante disso, Essentials se mostra um álbum que preza pela liberdade.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/3MkA3OB8YMCP4L3hL29atO
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