Ela nasce com um formato que gera incômodo. Na verdade, um ligeiro desconforto. Isso se deve em razão de sua sonoridade sintética densamente estridente. Com menções de pura aspereza, a sonoridade faz com que o ouvinte, inclusive, se sinta à beira de ímpetos iminentes de insegurança e vulnerabilidade.
Surpreendentemente, o que acontece momentos depois é o mergulho do espectador perante um cenário de puro torpor graças ao timbre intermediário de Juraj Péč, o qual é usado de forma sussurrante. Fazendo criar noções de uma sensualidade despropositada, esse timbre acaba sendo o único elemento a ofertar o caráter melódico da obra no que tange um âmbito mais orgânico.
De natureza capaz de ser curiosamente dançante, a canção, quanto mais tem sua estrutura desenvolvida, mais ela promove a elucidação de um post-punk emaranhado pela presença massiva do sintetizador. Não à toa que é, no refrão, que esse instrumento tem um protagonismo irrefutável que faz com que a obra, inclusive, flerte com a temática do synth-pop. Com direito a guitarras sob riffs de efeito lo-fi e levadas percussivas industriais adotadas pela bateria, Ešte Nie Sme Stratení não se torna apenas uma obra indescupavelmente eslovaca. Ela se torna o encontro dos anos 70 com a modernidade da nova era.
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